terça-feira, 20 de outubro de 2015

Quando eu disse que tinha percebido, era um pouco também de querer que tudo fosse verdade.
Mas eu não imaginava...
Não imaginava q naquele mesmo dia você mandaria mensagem dizendo que eu tinha me afastado.
Minha vontade era gritar que, finalmente, você tinha percebido que eu era louca por você e todas as vezes q eu fingia não te ver, eu estava implorando pra você vir falar comigo.
E não é que adiantou? Dizem que as pessoas são assim né, quanto mais pensam que não significam nada, mais querem significar.
Mas não... Eu não imaginava que você me falaria que eu tinha te largado e não queria mais saber de você.
"Para de besteira...", eu continuava querendo que você me falasse tudo o que eu adoro ouvir.
Mas não... Eu não imaginava que no dia seguinte você me chamaria pra sair. Mas eu imaginava direitinho que se você me chamasse, iria nascer um jardim dentro de mim, em meio à toda chuva que me inundava.
Não... Eu não imaginava que você continuaria a dizer que eu tinha te dado uma "esnobada legal".
Não imaginava que a gente iria discutir e eu iria chorar pela primeira vez, pedindo pra, pelo amor de Deus, você não me procurar, não dizer que estava com saudades e me deixar em paz.
E que, nessa hora, você iria arregalar os olhos, me pedir desculpas repetidas vezes em uma frase, me abraçar tão forte e beijar cada lágrima que caía dizendo "não..." pra cada uma delas.
É... Eu não podia imaginar que nós dois juntos conseguiríamos ser tão nojentos a ponto de nos beijar cheios de batata frita na boca, morrendo de ir de tanta porcaria.
E nem que você passaria mais da metade da noite armando estratégias pra prender as minhas pernas e mãos com seu corpo para me encher de cosquinha. Eu tb não imaginaria que isso te faria rir de perder o ar, de se divertir que nem criança, e de querer ouvir meus gritos e gargalhadas enquanto sofria o seu ataque soviético, como você mesmo falou.
Eu não... Eu não imaginava que você conseguia me beijar mais do que das outras vezes, e me beijar tanto, tanto, só porque eu disse que gostava do jeito q você beijava meu rosto...
E também não podia imaginar que você tinha o poder de esticar o tempo... Seja quando pediu a conta e, quando chegou, disse que não queria mais ir embora, seja quando me parou no corredor e me beijou, fazendo o tempo parar sem se importar com ninguém a nossa volta, ou dentro do elevador, quando a porta fechou e subimos e descemos sem tocar nenhum andar, até chegarmos em algum, que nos deixou lá quietos. Eram sete da manhã, e os beijos continuavam lá, como quem estava longe há muito tempo.  Ou então, seja quando, no taxi, você me puxou pra perto, com a mão no meu cabelo enquanto beijava minha testa.
Eu não imaginava. Não imaginava chegar em casa e receber um "saudades já".
Agora eu imagino. Em cada canto do meu dia, eu consigo imaginar.
22 de junho

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