terça-feira, 28 de outubro de 2014

Improbabilidades de um sábado de manhã

Sete horas da manhã meu despertador toca com a mensagem:"Ibmec te chama às sete da manhã". Como em todos os sábados, eu não me acostumo e penso porque eu resolvi fazer pós graduação em pleno sábado. E logo em seguida eu lembro que, pela primeira vez, eu tinha uma prova em que se me perguntassem meu nome, eu não saberia escrever. Depois de todos esses pensamentos, eu fiz o checklist diário no celular e fui me arrumar.
Andando pela rua que nem um zumbi, chego no metrô às sete e meia da manhã e espero. O lugar vazio que eu menos precisava andar para chegar era ao lado de um menino de skate. O meu primeiro pensamento foi cheio de raiva daquele menino saudável indo andar de skate àquela hora da manhã, ao invés de dormir até as duas da tarde, que era o que eu gostaria de ter feito. O meu segundo pensamento foi que ele era uma graça. O terceiro foi da porra da prova que eu não sabia nem o nome da matéria. 
Já de saco cheio de todo o meu dia já inteiro programado prova-chábardecasamento-ressaca, fui fazer o segundo checklist de apagar as fotos dos grupos do whatsapp que o meu celular faz o favor de gravar. Eu cheguei a ter um pouco de pé atrás daquele menino estar vendo eu apagando as fotos absurdas que meus amigos enviam nos grupos e pensar que era eu quem as salvava por vontade própria. Ele me acharia uma promíscua, lésbica, puta, anti-PT, rica e racista com os nordestinos (o que eu sou). Depois pensei: Foda-se, nunca mais vou ver na vida. Até que eu, acostumada a encostar meu skate por aí - deixando cair e sempre amparando com o pé e ganhando um roxo novo - vi a cena que já estou acostumada: o skate do menino que acorda às sete da manhã num sábado lentamente indo de encontro ao chão. E eu, no meu cotidiano reflexo, coloquei o pé para amparar. Em vão. Só deu tempo do menino distraído ouvir o barulho, pegar do chão e me agradecer. A situação, que durou meio segundo, me despertou e eu lembrei da prova. Peguei um único papel que tinha algumas anotações e comecei a ler.

 -Prova?

 -Oi? Ah, é... Um saco.

 E então o diálogo continuou com a pergunta que estava me incomodando:

 -Por que você não está dormindo agora?

 -Marquei com uns amigos de ir de skate até Copacabana...

 Um dia eu queria ser assim, imagina, não acordar querendo morrer de tanta ressaca e ser saudável em pleno sábado de manhã. Conversa vai, conversa vem e saltamos no Centro, onde ele iria iniciar seu trajeto de skate. Não fomos cada um pra um lado, ele me levou até a porta do Ibmec, num ato de fofura.

 -Não sei seu nome!

 -Felipe. A gente se fala.

 -Tá bem.

 Prova.

 Chá Bar de casamento. Meu celular apita: "Como foi na prova?" Fofo. A conversa começou cheia de brincadeiras e assuntos interesantes. E obviamente, eu fiquei encantada.

 Final do Chá Bar: Meia garrafa de Gin, a única bebida que não tem carboidrato. Sem condições alguma de manter qualquer tipo de diálogo, o meu subconsciente continuou a conversar com o menino do metrô. E última coisa que meu subconsciente, sensatamente, escreveu foi:

"Felipe, acabei de chegar em casa. Vou dormir, tô exausta. Beijos."

 Pefeito. Consegui não estragar tudo! Acordei com uma mensagem dele: "Me ama?"

 Eu fiquei sóbria de novo na hora. Sóbria e desesperada, pensando: Eu não seria capaz. Eis que eu criei toda a coragem do mundo, que sabe Deus de onde eu tirei, porque eu não tinha nenhuma e abri o celular. Exatos vinte minutos depois de uma lucidez extrema em que eu me despedi, havia lá um "eu te amo". Enfim... Depois de tentar inventar várias desculpas até ele me dizer um: "Vou fingir que acredito pra encerrar o assunto.", eu abaixei a cabeça e ganhei o apelido de "amor", em um áudio fofo na manhã seguinte.

 O tipo de coisa que, só quem é phd em cagadas, faz.

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