Fui fazer meu cabelo, e unhas. Chegando no salão, minha amiga: Como vc vai fazer o pé se você veio de tênis? Merda.!
- Temos a sandália descartável! - Disse uma bicha louca.
-Perfeito!
Na noite anterior eu tive mais um dos meus sonhos de doente mental. Eu estava no metrô, tinha um banheiro e eu quis tomar banho. Tomei, um pouco preocupada em demorar muito e passar o meu ponto. O banheiro era dentro do trem. Usei um sabonete usado que estava lá, porquê eu não sou fresca nem em sonho. E saí enrolada numa toalha verde claro. Quando saí, estava ele lá sentado numa mesa, me olhou e disse mais uma vez a frase que eu amo: "Não acredito nisso, só você mesmo!" E me fez delirar. Estávaos então em Teresópolis, simplesmente escalando. Eu e ele. A nossa cara. E quando estávamos chegando no topo, eu vi um ganchinho pra prender as cordas de proteção e disse:" A gente tá sem o materia de proteção!" Ele nem aí e nem eu, na verdade. Eu me sentia pesada e dizia que não ia conseguir, ele nem se preocupou e disse que eu ia sim. Acordei.
Saindo do salão, estava eu: Com os cabelos inteiros na cara, com a mão melada de óleo secante e um óculos escuros enormes. Eu tentava em vão tirar o cabelo da cara mexendo a cabeça. Nos braços, minha bolsa Louis Vuitton (minha mais nova razão de viver), meu tênis saindo pra fora da bolsa e é claro, minha sadália descartável que dobrava e meu pé ficava no chão da rua, a cada passo que eu dava. Só de atravessar a rua e ir pro shopping, meu pé já estava preto.
E então, eis que o diretor que comanda minha vida, resolve me sacanear.
-" Não acredito, só você mesmo! Que chinelo é esse?"
Meu coração estava na boca. Eu não o abracei, eu me joguei em cima dele, que estava enconstado no muro do estacionamento do shopping. Ele me abraçou com aquele sorriso no rosto.
Na semana anterior, eu o encontrei no mesmo lugar. Deve ter sido por isso que resolvi passar por aquele estacionamento. E de novo aquele sorriso, e eu, idiota, sinto necessidade de ouvir aquela frase que me faz lembrar quem eu sou, e então, disse:
-Fiz uma coisa que é a sua cara! Tava chegando pra trabalhar e tinha um ônibus grandão de doação de sangue. Na mesma hora doei, ó! - E mostrei o braço inteiro roxo!
Ele cai na gargalhada. Eu adoro o fazer rir.
Pois bem, eu tava nervosa, contei logo do sonho e ele me diz que é doido pra conhecer Teresópolis.
Mais uma vez riu da minha sandália e ameaçou pisar no meu pé, eu disse que o mataria e o chamei pra uma cerveja.
Fomos com mais dois amigos. Foi uma delícia, apenas por uns vinte minutos. Ele sentou do meu lado no banquinho de plástico, relembramos a história do dia em que ele jogou cachaça na minha perna, depois de eu ter caído no bueiro, ele não parava de tocar em mim. E me olhava daquele jeito que sempre olhou. Eu sou escrota, porquê sei que não vou ter nada com ele, mas é uma recarga de energia. Ele elogiou minhas unhas, meu cabelo, e ficou passandoa mão no meu pé, tentando limpar, dizendo que tava imundo. No final, quis pagar minha cerveja e disse pra eu terminar pelo menos aquela. Mas meu namorado, marido, sei lá, tinha ligado já 5 vezes e eu não tinha visto.
Saí correndo.
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