Mais um ano chegando ao fim.
Quando eu era moleca, ficava calculando quantos anos eu teria em 2000.
Dezesseis anos e eu achando que aquilo era o que havia de mais distante da minha realidade.
Tudo bem, vai. Eu ia casar com 23.
Com 23 anos, eu tinha acabado de voltar da Califórnia e era a maior das solteiras. Ficava com todo mundo, carnaval de Salvador me aguaradava ansiosamente, e eu namorava.
Namorava, pq hoje eu vi que eu namorei a beça. Fiz algumas pessoas de otárias, e me diverti horrores.
Eu namorei menos do que eles me namoraram, bem menos. E fui noiva também. Dessa eu só soube depois que eu terminei.
"Você era noiva do fulano, não é?"
"Era...". Achei um barato!!! Noiva? Rá!!!
Tudo foi motivo de diversão com os meus términos. Menos o do filho da puta que me traiu na casa em que morávamos. Tudo bem que eu tinha pego alguns amigos dele no Reveillon em que ele estava passando com a família, mas isso não era motivo, afinal, nos Estados Unidos todos se dão estalinhos na hora da virada, então eu, "mera brasileira sem saber de nada", não sabia que se você namorava não podia ué. Aí ele me deu o troco bonito. E como me mandei pro Brasil dois dias depois, eu só encenei em alguns e-mails a minha profunda tristeza, enquanto eu já tava botando pra quebrar no carnaval.
Dois anos depois, ele me mandou um e-mail dizendo que me amava, que se eu ainda o amava era pra eu dizer, que ele viria pro Brasil, e que chegou a achar que iríamos casar.
Eu já namorava, mas não deixei a peteca cair, óbvio, respondi na mesma pegada, mas dando o fora. Dizendo a mesma baboseira de sempre, que eu o amei muito, mas tive que seguir a minha vida.
Mas sofri viu... Sofri achando que iria morrer, mas na hora que eu tava cheia de cerveja na cabeça e no coração, eu morria de rir. Quem diria que eu só estava em sã consciência quando estava muito bêbada e conseguia assumir que eu era uma artista, enganava a mim mesma.
O meu primeiro namorado foi o grande amor da minha vida, aquele que se ama sem saber de nada, na mais santa inocência, achando que é pra sempre. Desse amor, você nunca mais sente. Nunca, jamais. Eu terminei amando, mas a minha vontade de viver a vida intensamente é tão grande que eu senti necessidade de me soltar e fazer tudo o que me desse na telha, sem dar satisfação pra ninguém. E foi quando eu fui parar na Califórnia. Cumpri todas as minhas cotas de fazer merda naquele ano.
Sorte minha que tô aqui sã e salva depois de tudo o que eu aprontei. Gastei as minhas sete vidas ali.
Na verdade, eu não sou uma escrota descompensada que sai por aí fazendo besteiras.
Eu tenho um relacionamento estável, um trabalho bacana, e uma família de foder, mas eu gosto de viver a vida e as leis impostas pela sociedade não me permitem.
Eu não tô pedindo muito, não tô mesmo. Eu queria uma viagem internacional por ano. Perfeitamente normal para uma menina independente como eu, que aprendeu a juntar dinheiro. Algumas viagens pelo Brasil, sendo que os lugares que eu gosto não são turísticos, logo, não são caros. E eu, que tenho um pouco de nojo de luxo, sou uma hóspede econômica, então também não é nada demais. E eu queria beber pelo menos três vezes por semana, sem ter hora pra chegar em casa e sem me preocupar com o celular. E se eu tiver vontade de me pegar com o carinha do ponto de ônibus, eu poder, sem ter medo de alguém ver, ou peso na consicencia. Se bem que isso é uma coisa que não me pertence mais, um horror. Antes o peso ficava na minha cabeça e dois dias depois ia embora, hoje, eu pisco o olho e fico tentando de qualquer maneira ter algum peso na consciência, mas ele nem tchum pra mim. Eu até queria ser normal, mas não consigo de maneira nenhuma.
Ontem vieram me dizer que minha cota de polêmicas desse ano já tinha acabado há muito tempo.
Eu nem sabia que polêmica tinha cota.
Ainda bem que o ano terminou.
Minhas cotas zeraram!!!!
Uhuuuu, que venha 2011!!!!!!!!
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