Enchi a cara de novo. Jurei que nunca mais iria beber, até ver um copo de cerveja na minha frente e o embrulho no estômago ir embora na hora. Acho que sou alcoólatra. Com muito orgulho, ainda.
Mas eu faço parte dos menos de 1% da população mundial de pessoas que caíram em bueiros de rua.
Caí de novo. Não sei qual é o meu problema. Caí e me estrepei. Adoro, tenho esse problema também. Morro de rir e comemoro uma nova cicatriz! Oba!!! Nem quis passar remédio para ficar bem feio.
Nem sei porque sou assim, mas adoro cicatrizes. Acho que significam boas histórias para contar. Sem exageros, claro.
Sempre quis ser mordida por tubarão ou cobra, mas uma mordidinha assim como quem não quer nada, sabe: Só uma cicatriz, imagina: "Ah, menina, nem te conto. Fui mordida por um tubarão, assim do nada, sabe, ele chegou e puf, me mordeu!" E aí eu mostraria as marcas dos dentinhos. Um arraso.
Mas caí mesmo. Da primeira vez não foi nada demais, fiquei só com a perna inteira marrom, aquilo de esgoto mesmo. A segunda vez foi brabo. Eu tinha bebido no posto, escondida do meu namorado, com um carinha super chuchu, mais um daqueles da lista. Mas se bem que esse era meio gaiato, um charme. Então fui atravessar a rua e caí, torci o pé, rompi os ligamentos e tudo mais que eu tinha direito. Um mês e meio imobilizada. Uma delícia. Não trabalhei, aprontei horrores. Isso me rendeu o apelido de Pangaré. Hoje ele me chama de Panga. Adoro. Eu o chamo de Panga tamém, porquê sou uma fofa, afinal de contas.
Mas então, bebi muito, muito mesmo, e como alcoólatra que se preze, vi que a cerveja não estava fazendo efeito e resolvi tomar cachaça. Nem sei qual era. Sei que disse que queria uma cachaça e o tal que é a bola da vez, escolheu pra mim. Ele me embebedou. E deu certinho. Enfim, não sei em que hora, fui fumar um cigarro e enfiei o pé com tudo no bueiro, me arranhei inteeeira. A perna ficou um sangue só. E aí é que entra a bola da vez na história. Meu mais novo game.
Ele me acha o máximo, o máximo mesmo. Acha que eu sou a mulher da vida dele. Tadinho, eu sou uma daquelas que ele não vai esquecer nunca, vai passar a vida inteira pensando em mim. Aí eu falo pra ele das minhas viagens, e ele, surfista e maconheiro, diz: "Queriaa muito ter curtido essa vibe com você.... Assim, sabe, fazer uma viagem, conhecer uns picos...". Eu rio. Eu também adoraria, de verdade. Daquele jeito que eu me engano. Já até cheguei a pensar: " Geeente, será que é ele? Achei? Vou viajar o mundo com meu filho amarrado em mim, e ele do meu lado, fumando um e conhecendo os picos?" Aí me vem a responsabilidade: E o dinheiro? Vou trabalhar onde? Mas ele fala francês e italiano. Aí é de matar uma né.
Assim que ele me viu morrendo de rir, completamente bêbada e aquele sangue todo, ele não soube o que fazer, aí de repente ele surge na minha frente e diz: Me dá a perna. Eu dei, e ele tava com um guardanapo e um copo com um líquido transparente. Eu achei que era uma água gelada né, mas eis que eu falo: "Não vai arder não, né?" E ele joga aquilo na minha perna, eu vou na lua e volto umas vinte vezes e falo: "Sopra! Sopra!Sopra!". Aquilo ali queimou como o quê e ele ficou lá com o guardanapo limpando. E eu disse:
- O que é isso, seu louco???
- 51.
Me apaixonei ali.
E fui trabalhar enlouquecida, e ele pediu pra me avisarem que era pra eu ligar pra ele, eu liguei e ele disse que estava apaixonadão, e acho que ele me disse duas vezes que me amava. Eu tava muito bêbada, mas tenho essa impressão. Depois achei que era meio viagem, como aquele louco falaria isso? Mas ele tava tão bêbado também, mas tããão bêbado, que de repente ele tava me amando mesmo, vai saber... E disse que tava morrendo de saudade com voz melosa e que era pra eu pensar nele no Réveillon. Cumpri direitinho o que ele pediu.
"Vamos jogar tudo por alto
e sar daqui bem felizes.
Eu não consigo esquecer você.
Eu acho que você é a
mulher da minha vida!
Eu quero o número do celular
para poder ter contato com
minha futura mulher.
Beijos, T.
Te amo."
Ele não precisa estar bêbado para dizer que me ama.
Acho que ele é pior que eu.
Olha eu, já querendo estrapolar minha cota de 2011.
Vou segurar a onda, juro.
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