Oi, tudo bem?
Eu vim aqui falar com você, porque eu queria que, sei lá... Vai ver você sabe explicar o que aconteceu ontem. É que eu não entendi muito bem, fiquei meio confusa e até agora to sentada naquele taxi olhando pra frente sem conseguir esboçar qualquer reação.
Sei que não foi a primeira, e nem a segunda vez que você faz isso, mas foi a primeira vez que eu fechei os olhos e senti.
Sabe, eu achava mesmo que você era só mais um desses meninos bom partido, que ficaria meu amigo e e que eu iria apresentar cheia de orgulho para as minhas amigas.
Eu apresentei, cumpri com o roteiro que eu havia organizado.
Até aquele dia que, de tanto você insistir para que eu ficasse, porque eu havia bebido muito e era melhor que dormisse na sua casa, eu acabei acordando do seu lado. Eu deveria ter percebido desde o início, que todos haviam bebido muito e que eu era a única que você queria que dormisse lá. Nunca tocamos no assunto. Nunca contamos pra ninguém.
Continuamos fingindo que absolutamente nada daquilo havia acontecido. Eu apaguei isso da minha vida, até porque eu não lembro de absolutamente nada daquela noite. Ou melhor. Eu lembro da gente ter se beijado no escuro, sem motivo nenhum.
Você é o meu amor, como eu sempre falo. Você é o meu amigo mais lindo, e eu não me importei mesmo de te apresentar minhas amigas, não sei porque, eu não sentia nada mesmo, ou não sabia que sentia, sei lá. Não consigo explicar.
Mesmo depois daquela festa que todos disseram que a gente estava tão grudado, que parecia que estávamos juntos. Foi nessa festa que tiraram uma foto de todos nós, e enquanto todos olhavam pra câmera, você olhava pra mim. Nessa festa, que pela primeira vez você pegou meu rosto e me deu um beijinho. E pela primeira vez, eu fingi que achei normal.
-Ele tem esse jeito com as outras amigas de vocês? - Ela, que me conhece mil vezes melhor do que eu, me perguntou, depois de um dia em que nos viu muito juntos.
- Não.... E eu nunca tinha me dado conta.
Na segunda vez, eu estava muito triste e estavam todos na sua casa. Você pegou meu rosto e me deu um beijinho. E pela primeira vez, eu não achei nada demais, eu achei um beijo de amigo, de amor. Achei que você queria me consolar de um jeito mais próximo, um beijinho pra diminuir a dor.
E no meio de tudo isso, algumas mensagens lindas e inesperadas de madrugada, um "eu te amo" jogado num canto, um "estou pensando em você" em outro e um "não entendi porque não viajou comigo"...
Eu não achei nada demais você ter insistido pra eu dormir no seu quarto quando todos já estavam com seus lugares para dormir na sua sala. Você falou que eu ia dormir com você, mas eu já tinha o lugar pronto junto com nossos amigos. Você falou algumas vezes e na hora de ir dormir, falou de novo. Eu fui depois de você dormir e saí antes de você acordar. Acho que não queria acordar do seu lado, acho que tenho um bloqueio, acho mesmo que tenho medo de acreditar nessas mensagens. Ainda deu tempo de fingir que estava dormindo na sala e te ver saindo todo arrumado pra sua reunião de manhã. Você me cobrou, disse que não entendeu porque eu não dormi com você. Eu disse que dormi e você não viu.
Ontem foi a terceira vez. Mas foi depois de algumas vezes que saímos e você não conseguia desgrudar de mim, e eu não conseguia desgrudar de você. Foi depois do dia da Urca que você sentou do meu lado na muretinha e ficou com a mão na minha perna e eu encostei a cabeça no seu ombro. Acho que foi nesse dia que eu comecei a sorrir quando lembrava do carinho que você tinha comigo, e em como era gostoso estar nos lugares com você, porque você me dava a atenção que eu amo ter.
Foi ontem, que estávamos juntos e estávamos bem grudados. Fomos embora juntos, e, no taxi, você estava de novo com a mão na minha perna, enquanto eu encostava no seu ombro.
E você me pede pra deitar no seu colo, pra ser ainda mais carinhoso comigo. Eu também não conseguia parar de ser carinhosa com você. Você, meu amigo, meu amor.
Foi por isso que você fez aquilo? Foi por isso que você me afastou do seu abraço pra colocar a mão no meu queixo e me dar um beijinho? Pela primeira vez eu estou até agora parada, porque não tive nenhuma reação a não ser a do coração bater mais forte e um sorriso idiota no rosto.
Meu amigo, meu amor, você nunca tinha sido carinhoso dessa forma comigo, nunca tinha me pedido pra deitar no seu colo, e eu também nunca havia retribuído dessa forma.
E eu continuo daquela forma, quieta, sentindo suas mãos em mim, e sem entender, pela primeira vez, porque mexeu tanto comigo.
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