Era sábado. Eu tinha acabado de sair do trabalho, cansado pra caralho. Arrumei minhas coisas e não me dei ao trabalho de dar tchau pra todo mundo. Queria logo sair dali. Depois de andar pelo shopping, desviando de pessoas que olhavam vitrines e me irritavam a cada metro, eu cheguei no ponto de ônibus.
Eu tava lá, sem paciência nenhuma, encostado, esperando meu ônibus. De repente aquela imagem. Na verdade eu não acreditei de primeira. Ela tinha acabado de comprar um carro vermelho e estaria lá? Que nada.
Ela estava. No meio de uma multidão eu a vi. Sapatilha, calça preta justa e camisa vermelha social, com um decote que eu sonhei durante várias noites de minha vida. Toda atrapalhada, lá vinha ela. Esbarrando em todo mundo sem perceber (como ela sempre fazia), e com um latão na mão.
Eu a reconheci pelo seu jeito de andar. Nunca vi alguém esbarrar em todo mundo e não perceber de maneira nenhuma. Com aquela cerveja na mão. Nem combinava. Ou combinava demais. Quem a conhecia sabia que aquilo ali era a cara dela. Quem a via, não entendia nada.
E ela veio. Ela passou por mim sem perceber, olhando pra trás e vendo se seu ônibus estava chegando, e quando ela ia esbarrar em mim, eu a peguei pelo braço. Ela parou de uma maneira brusca que a sua franja caiu sobre seus olhos e sua cerveja derramou um pouco no chão. Ela olhou pra mim e começou a rir.
-Não era pra ninguém me encontrar assim.
-Assim como?
-Ah, acabando de sair do trabalho e desejando uma cervejinha de ponto de ônibus.
Eu a abracei. Foi a única coisa que me veio à cabeça. Eu a abracei forte e disse o que eu já havia dito algumas vezes:
-Eu te amo.
Ela acha graça. Eu digo e repito que ela é a mulher a minha vida, mas ela... ela acha graça.
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