Todo mês é a mesma coisa. Minha TPM chega de avião, uma viadagem só. Ela faz questão de dar uma passadinha na Dinamarca, um pitstop nos States e, porque não?, uma paradinha no Rio e Espírito Santo, e enfim, desembarca com tudo, em Salvador. É uma merda. Ela faz questão de bater um papo com todos os meus amores, todos os que um dia foram os homens da minha vida, todos os bons partidos que eu fiz questão de mandar pra putaqueopariu. Enfim, minha Tpm faz questão de me fuder todo mês.
E lá vem ela, junto com milhares de lembranças que me fazem encher os olhos d´água, relembrar músicas, fantasiar cenas, e me culpar por cada coisinha que eu fiz de errado, e só soube depois. Porra, será mesmo que eu tenho que me culpar por tudo o que eu fiz? Eu tava curtindo, pô, pode ser? Eu não tava no clima, eu queria curir. Foi mal! Será que eu tenho que espalhar outdoors pela cidade, quer dizer, pelo mundo, pedindo perdão para todos que eu magoei. Pera lá! Eles me magoaram também, não conta não, é? Eles me deixaram fudida. Tudo bem que fui eu quem foi embora, mas eu sofri, eles me abandoram depois também. A culpa não é só minha! Se eles tivessem tpm, eles iriam ver que também contribuíram pra eu me mandar! Que graça tém só eu levar a culpa? E pra quê, me diz, pra quê minha tpm tem que passar em Copenhagem? Porra!!! Eu não quero lembrar dele, não quero, passo o mês todos numa boa, sem doença nenhuma e me vem ela e estraga tudo? Ao som de "underneath your clothes, there's an endless story...", me vêm as lembranças, as histórias, os sorrisos, a mágica daquele segundo encontro e a dúvida de como o destino fez aquele milagre. Seria mesmo normal, uma menina se apaixonar por um menino só pelo olhar dele, e ao passar a noite com ele, o amar perdidamente? Seria normal ela acordar no dia seguinte e ao perceber que ele não estaria lá na hora marcada (porquê havia ido mais cedo e ela não estava), ela chorar e não conseguir mais levantar da cama? Seria normal ela passar uma tarde abraçada ao travesseiro chorando, simplesmente por achar que o menino que ela conhecera no dia anterior havia ido embora? Não! Não é normal. Claro que não é. E então, lá vai ela pra Califórnia. Mais precisamente para a Black Mountain Rd, e ainda mais a fundo, ela me faz reviver aquele momento escuro do carro para a porta da frente, que sempre estava aberta. E depois ela sobe aquelas escadas atapetadas e vai direto prum quarto de menino, com um cachorro boxer sempre acompanhando. Porra, e ela passa por tantos momentos, tantas palavras em inglês e tantas feridas que aparecem quando eu ouço aquela música, Caralho! Essa tpm me fode!!! E ela me deixa ainda mais alcoólatra, e tpm chique que se preze pede whisky, licor de chocolate, conhaque, juro, eu tenho vontade de beber conhaque! Caralho! Eu odeio essas bebidas, eu gosto de cerveja! E ela vai pro Carnaval de Ssa e um segundo depois vai pra Vitória! Ela me ilude, eu penso em dar uma risada lembrando das putarias do carnaval e me aparece ele, todo lindo, e ela vai direto pros momentos em que eu mentia descaradamente pra ele, que era o vulgo amor da minha vida, e lá vai... ralo a baixo, lá vai ele... E minha tpm lá, vibrando com minha tristeza profunda. Porra, na hora eu ria! Tenho mesmo que ficar me lamentando agora? E toma-lhe bebida! Até cachaça... Sim, uma cachacinha ma-ra-vi-lho-sa de Minas. Quero, claro - digo eu, salivando por um shot...
Vai entender... Alguma coisa em mim tinha que ser chique.
Que seja apenas uma vez por mês....
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