segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Foi mal, pô!

Vini,
Foi mal, pô! Desculpa aê. De verdade, não que eu esteja arrependida, foi um jeitinho de fugir de você, caramba! Eu tinha que fugir.... Você não devia ser de verdade, foi o que eu pensei....
Em pleno carnaval da Bahia, no melhor bloco, me aparece você, todo...., sei lá, todo você.
-Me dá um beijo?
Ai, que saco...Mas putz... que graaaaaça...
-Não vou te beijar pq vc vai virar e ir embora.
-Eu não vou embora.
-Só te beijo se ficar o bloco inteiro comigo.
-Eu vou ficar.
Mais tarde, depois de irmos no seu apto e você ter tomado iogurte e eu cerveja (sem modos nenhum), sentamos na calçada, cada um com sua latinha.
-Você faz o que?
-Sou funcionário público, auditor.
-Ah, se formou em Direito?
-Direito E engenharia. E você?
-Sou garçonete.
Não sei porque eu menti. Sei lá. Você era tão perfeito, claro que não era de verdade.
Custava, depois de saber que eu "era garçonete", ir embora?
Aí tentei de novo:
-Que lindo seus pelinhos dourados... É natural?
-Não... sabe aquelas pastas brancas que aquelas negonas passam na praia? Então, eu passo no corpo inteiro....
E aí não teve jeito, você me abraçou e rimos muito, com o dia clareando...
Aí nos apaixonamos, foi mal.
Quem mandou? Eu não acredito muito quando chega alguém tão lindo como você. E acreditei menos ainda quando você me botou num taxi querendo me dar dinheiro pra voltar. Depois me ligando bravo achando que eu não ia te ligar quando chegasse em casa, eu nem tinha chegado, amor...
E no dia seguinte? Ligar quando acordou foi demais. Desculpa, você quis me deixar segura de que aquilo não era de brincadeira, mas exagerou pô! Eu estava incrivelmente apaixonada e você é lindo demais.
Então, foi mal pelos e-mails apaixonados, eu tava de onda, eu não acreditei em você, obrigada por seus e-mails tão lindos, dizendo que me queria e tudo mais aquilo de perfeito e ah! você escreve muito bem, valeu mesmo pela falta dos erros de português que eu sempre li, eu amei tudo.
Sem esquecer, claro, das milhares de ligações durante meses sem fim...Você era lindo desligando sempre me dizendo:"Também te amo! Beijos" e me fazendo morrer de rir, um pouco sem graça no começo, mas depois já acostumada:"Também, beijos.".
Desculpa, amor, por não ter ido te encontrar quando você disse ter comprado passagem pra Salvador pra passar três dias comigo. Eu disse que estava sem celular, não foi? Eu menti, você, hoje, deve ter se ligado. Eu disse que meu nextel tava com uma amiga, pra ela falar com o marido que estava viajando. Desculpa esfarrapada. E você me deu até o telefone fixo de onde você estaria. Eu não liguei. Tive um medo danado.
Me envolver pra quê? Todo lindo, lindo mesmo, engenheiro e advogado, super inteligente, me ligando toda semana, vindo pra Bahia pra me ver? Desculpa lindo, não acredito até hoje.
O máximo que você poderia ter feito, você fez. O mínimo que eu poderia ter feito, eu não fiz.
Foi mal, Vini, eu tive medo. Você era o homem perfeito pra mim, mas depois que fugi de você quando você veio, nunca mais quis saber de mim e não me atendeu. Eu tentei mil vezes te ligar depois pra dar mais uma desculpa esfrrapada. E um ano e meio depois, você me disse que sabia o que você queria da sua vida desde quando me conheceu naquele carnaval.
Desculpa, amor, eu me apaixonei por você.
Também te amo.

Um comentário:

  1. Uau!
    A sorte de escrever para amores que passaram é que o tema é inesgotável. Que venham os outros mil! Amei! Beijo.

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