Chegou de drama, viu?
Acabou a festa, o fingimento, acabou a ceninha, valeu?
Passado todo esse seu ataquezinho de araque, você vai me ouvir.
Passaram três carnavais, Vinicius, três! Já deu, né?
No primeiro, você me ligou trezentas vezes e eu não fui. N-ã-o f-u-i e acabou. Não fui, ué.
Você, por acaso, foi todas as vezes que eu chamei?
Tá bom, eu nunca te chamei, quer dizer, não que eu tenha percebido, mas eu quis. Custava você entender que eu queria? Precisava desenhar?
Então, meu bem, meu amor, meu lindo amor de carnaval, eu queria ouvir você. Pode ser por carta, telefone, e-mail, notícia de jornal, mas eu queria. De qualquer maneira, sabe, reviver pelo menos em palavras aquele dia que foi tão inesquecível, tão... sei lá, tão iogurte na geladeira, tão dinheiro pra voltar de taxi, tão me liga quando chegar.
Tão tudo. Tão telefone tocando quando eu acordei, tão noite em claro apaixonados, tão Carnaval em Salvador... Tão a gente.
A gente... sentados na calçada com o dia claro, tomando cerveja, eu tirando míseros cinco reais pra pagar a nossa e você bem chateado por eu ter pensando em pagar aquelas cervejas.... Uma implicância só.... Eu dizia que ia te jogar no bloco dos gays se você me irritasse mais um tantinho e você perguntando se meus pelos do braço eram mesmo loirinhos daquele jeito... Você me chamou de gordinha!!! E disse que eu era linda mais de mil vezes.
Mas uma das coisas mais lindas que já disseram foi aquilo. Alguém disse que sua namorada era mais bonita e você disse: Mas eu gosto dela.
Um dia. Tanta importância. Será que eu sonhei?
Então, querido, vamos conversar?
Vamos nos entender?
Me deixa mentir mais uma vez, jurar amor eterno e virar as costas no dia seguinte, como em todas as vezes?
Me deixa, colabore com minha fantasia de te ter de novo.
Por favor?
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