sábado, 24 de setembro de 2011

Trouxa de marca maior

Sou eu.
Otária que só. E pros outros também não serem otários, vou alertá-los.
Eu estava hoje lendo um livro em inglês. Eu leio em inglês pra fingir que ainda falo fluente, mas ler eu acho que leio fluente porque me obrigo a estar lendo em inglês. Só compro livros em inglês, é uma auto-irritação mesmo, pq a letra é sempre pequena, eu sempre leio no ônibus e sempre tenho dor de cabeça. Mas eu me obrigo, e isso é uma das poucas coisas que eu ainda faço certo.
Pois bem, estava eu lendo um livro e de repente uma palavrinha me chamou a atenção: paths.
E lá estava eu de volta em um dia da frio da Califórnia, de tardinha sentada no chão da parte externa, com a piscina do meu lado. Na minha frente tinha uma bandeira do brasil e na minha mão uma caneta preta. Eu escrevia pra ele, no meu último dia. Eu escrevia o quanto eu o amava e o quanto eu gostaria de ficar com ele para sempre. Eu agradecia por tudo, incluindo o pijama de estrelas, o  amor do Marley, o cachorro e da Sanchez, a iguana. E eu, me debulhando em lágrimas, escrevia uma frase que ele havia me falado: "I know our paths are gonna meet together". Me dá raiva só de lembrar. Ele esqueceu de me falar que our paths não iriam se encontrar merda nenhuma, que ao invés disso, ele iria esquecer da minha existência por dois anos e lembrar só depois quando eu já havia desistido, e que depois, ele estaria namorando, depois casado e depois com um filho. Ele esqueceu tudo isso. E eu fiquei lá, com cara de idiota assistindo ele ser papai.
Antes disso, teve meu primeiro namorado, o tal do Dé, que disse também, que iríamos casar, que havíamos nascido um pro outro. Esse também esqueceu que pouquíssimo tempo depois de terminarmos ele engataria um namoro e iria pra Califórnia, e que depois namoraria outra menina até hoje. Ele esqueceu de dizer que ia me deixar casar com outro.
Mas o pior de todos foi a razão pela qual eu fiz muitas merdas quando voltei dos Eua. Ele disse que me amava em dinamarquês, privilégio para poucos, ele disse com toda a intensidade do mundo que iríamos nos encontrar de novo, mas ele não usou a palavra "paths" não, ele usou a palavra "sure", ele disse que tinha certeza que nos encontraríamos de novo, mas tinha medo de demorar muito tempo. Depois, quando eu já havia ido embora sem saber que era pra sempre, ele disse que tinha medo de demorar muitos anos, que não era pra eu esperar, que era apenas pra eu saber, podia demorar o tempo que for, mas iríamos ficar juntos!
Ele jamais pode imaginar o quanto me dói escrever isso, o quanto é triste ter acreditado piamente nisso, o quanto é doído lembrar que ele iria me fazer esperar a vida toda. E o quanto é ruim pra mim ter um pingo de esperança, um pedacinho mínimo de mim ainda pensa: já se passaram cinco anos, mas ele disse que achava que iria demorar muitos anos. Então, um tantinho de mim, bem pequenininho anda tem um sorriso ingênuo quando pensa que podemos nos encontrar sim.
Mas hoje, depois de lembrar de tudo isso, eu vi o quanto a vida me enganou e me deu uma certa dó da minha ingenuidade e de todas as vezes que eu ficava tranquila sabendo que eu ainda iria ficar junto dele, apenas sabendo, sem esperar, como ele me pediu. Ele prometeu. Ele prometeu todos os dias que ficamos juntos. Ele disse que havia dado a palavra dele, que ele havia prometido e isso ele disse mil vezes.
A promessa está válida, até daqui a muitos anos. Eu é que passei do prazo de validade.
Não quero mais esperar não, só aquele tantinho de mim que quer, mas eu sou muito maior que essa fraqueza, então, levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima.
É só eu deixar de ser otária e está tudo certo!

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