Quais eram as chances de eu estar com um taco de sinuca na mão, pronta pra jogar, olhar pra frente e ver seus cachos castanhos e sua pele branquinha?
Se eu tinha qualquer dúvida a respeito do que falam sobre o destino, essa dúvida foi embora e não volta nunca mais.
Eu nunca tinha ido naquele lugar. Era domingo, e a ideia surgiu no meio de muita falta de opção. Chovia.
Você me olhou surpreso e eu consegui não acertar nenhuma bola e deixar o taco cair no chão fazendo barulho. Fiquei paralisada.
Você sumiu, só podia estar lá fora. Estava. Encostado no muro, fumando seu cigarro.
Me olhou e não parou de olhar. Eu fui até você, encostei do seu lado e não falei nada.
Você perguntou se eu estava bem, olhando pra frente. Eu respondi que sim.
Você me puxou pela mão e me levou embora, de mãos dadas e sorrisos bobos.
Você existe.
Você me contou tudo. Se separou há duas semanas, mora na rua atrás da minha. Agora mora no sofá da sala dos seus pais. Ainda faz parte do projeto social que estava na sua camisa, e vai pra Macaé durante a semana.
-Por que você não me ligou?
-Porque a minha vida está uma bagunça, eu precisava entender o que tinha acontecido.
Você continuou falando o quanto eu era linda, e me falou muito mais.
Me disse que não sabia que era possível achar alguém assim, sentir algo assim, eu era o seu encontro, o seu rumo. Eu era o pote de ouro no final do arco-íris. Tipo inalcansável, você me disse.
Eu lembro de fechar os olhos e querer prestar bem atenção no que você estava me falando, porque era lindo. Você é lindo.
Me perguntou o que eu vi em você. Eu disse que você era o homem da minha vida. Que eu tinha achado. Não existia opção pra gente. Nascemos um pro outro.
Entre declarações e muitas cervejas, ficamos juntos até as cinco da manhã. Nos olhando, nos beijando e nos perguntando o que era aquilo que estava acontecendo entre duas pessoas que nunca tinham se visto.
- Você me dá vontade de chorar.
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