domingo, 25 de janeiro de 2015

Quando aconteceu, que eu nem percebi?

Já haviam me falado. E não foi uma ou duas vezes, foram algumas.
E eu morria de rir, óbvio que não.
Todos os sinais que iam aparecendo eram ofuscados por boas bebedeiras em que acordávamos abraçados.
Cada dia que acordávamos era um acontecimento diferente...
Um dia você estava fazendo a barba no espelho depois do banho e eu sentada de pernas cruzadas, com a sua blusa amassada...
Em outros você me fazia cosquinhas dizendo que não entendia o dialeto que eu falava quando acordava, ou não me deixava dormir me mordendo e me fazia acordar com tantos roxos na perna que parecia que eu havia ido ao FlaxFlu na época da arquibancada mista do Maracanã....
Ou então não me deixava acordar quando meu despertador tocava, ou me acordava no susto dizendo que eu não tinha te chamado quando seu despertador "pelada sagrada" tocava, mesmo quando eu já tinha tentado 18 vezes antes....

Você é tão diferente dos outros que até escrever sobre você é difícil...
Às vezes eu penso que não, sabe... Claro que não.
Mas ao mesmo tempo eu não entendo porque eu ainda não mandei mensagem bêbada, não cedi há muito tempo às suas mensagens tentando se aproximar, não respondi no mesmo clima melancólico que o seu... Eu teria falado um monte, um monte!, exagerado tudo e jurado nunca mais deixar você encostar em mim, teria falado todas aquelas frases decoradas que eu falo pra todos. Por que eu não estou conseguindo sentir aquela necessidade de estragar tudo??

Eu não posso! Há quanto tempo eu não me apaixono por alguém? Eu me apaixonei por alguém, de verdade, nesses últimos tempos?
Eu não entendo...

Eu lembro de ficar olhando pra sua mão quando estávamos deitados, acordando... Estávamos abraçados e você me deu a mão e ficou fazendo carinho. Eu fiquei olhando seus dedos se mexerem sobre a a minha mão bem sonolentos e eu senti meu coração meio esquisito.
Será que foi aí que me contaminei?
Ou foi quando você me disse que já era hora de deixar minha escova de dentes na sua casa?
Ou quando você foi me pegar em dez minutos, só pra gente ficar junto?
Será que foi quando não entramos no show e fugimos de todo mundo porque queríamos dançar?
Droga, será que foi no dia da praia? No dia que eu coloquei a sua bermuda e entrei no mar? No dia que você pediu pra eu ficar com seu celular? No dia que perguntaram se "sua namorada" ia e você respondeu que "sim, ela vem"? No dia que compramos duas pizzas enormes sem a menor noção porque estávamos bêbados? Bem na hora que colocamos "Claudinho e Bocheca" no quarto e ficamos dançando até cansar? Que nossos amigos gravaram vídeos e, no fundo, a gente aparece se beijando e rindo?
Não... Não pode ser.

Vou ver quais são os remédios pra essa tal dessa minha vontade de me comportar, de querer dormir e acordar com você.
Eu hein...

sábado, 8 de novembro de 2014

Na cama com preguiça

Psiu... Tá na hora de você começar a se arrumar pro casamento.
Sei que a essa hora você tá deitado, se espreguiçando, e dizendo: Preguiça da porra....
Eu podia apostar na mega sena que é exatamente isso o que você está fazendo agora.

E eu sei que você podia apostar que eu já estaria me arrumando. E estou.

Estou me arrumando, procurando em todos os cantos a coragem que me falta de te reencontrar depois de alguns anos.

Nosso último encontro foi bem traumático pra mim. Acho que casamentos são traumáticos pra nós dois.

Mas o casamento deles ultrapassa os limites....

Quantas vezes eu já não corri pro colo dela pra desabafar? Quantas vezes você já não foi jogar bola com ele?

Quantas vezes saímos nós quatro. Quantos ataques de riso?! Lembra quando paramos pra pedir informação na estrada e não conseguimos parar de rir? Ninguém se controlou e não conseguimos falar nada, simplesmente fechamos o vidro e fomos embora. Acho que fomos rindo daquele jeito até Minas. Foi o Victinho que começou, com aquela cara de quem prende o riso, desarmando qualquer seriedade.
E a viagem de Itaipava, que nós quatro fomos? Pousada linda, viagem perfeita e muita zueira por estarmos em quartos vizinhos. Ninguém podia fazer muito barulho, lembra?
 Tiveram as praias, as viagens pra Teresópolis, pros campeonatos de futebol, teve aquela comemoração de dez anos no sítio...
Jantares com eles, nós quatro, sempre juntos. Sempre grudados.

E agora somos quantos? Seis? Eles dois, você com ela e eu com ele.

Onde está o sentido de tudo isso? Pra que construir tanta coisa e hoje nos olharmos tão vazios?

Não estou conseguindo continuar a me arrumar. Já era pra estar quase pronta... Você sabe como eu sou, não é? Não gosto de me atrasar. Mas eu queria, queria me atrasar tanto a ponto de não ir.

Você sabe, também, como eu encaro as coisas, né? Então, dá licença, tenho que fazer o meu cabelo.

Até daqui a poucco, Dé.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Pra você, menino do metrô.

Felipe,

Se você decorou mesmo o endereço desse blog (que ninguém sabe), naquele dia que nos encontramos e as Originais e suas mãos invadiram nossa noite, e pior, se você perde o seu tempo pra ler as baboseiras que eu escrevo, então:

1. Tô fudida.

2. Não acredita muito nas coisas não.

3. Deixa eu te explicar:

Primeiro, eu já estava com o texto pronto na minha cabeça pra te dizer: Esse blog não é só meu, minhas amigas também publicam, etc. Depois, eu resolvi que não ia mentir não.

Sou eu mesma quem escreve todas essas bobagens, pra todas essas pessoas sem importância.

São pessoas que cruzam a minha vida e deixam uma mensagem qualquer. Inclusive,  que você pode conhecer pessoas interessantes em um sábado de manhã no metrô.

Deixa eu te explicar direitinho... Eu vivo, literalmente, um dia de cada vez.
Foi por isso que eu casei no primeiro dia que fiquei com meu ex-marido. Ele dormiu na minha casa naquela noite e nunca mais dormimos separados, até separar de vez.  Foi por isso, também, que eu comprei um apartamento com ele com quatro meses de relacionamento, e que compramos o meu Gol vermelho, carro dos meus sonhos na época.
Foi por isso que um dia, quando eu tava na faculdade, depois de uma chopada, eu e minha melhor amiga resolvemos fazer um mochilão... naquele dia! Nos mandamos pra rodoviária e fomos parar em Vassouras, pedindo carona debaixo de chuva.
Foi por isso que resolvi morar fora numa sexta-feira e segunda eu estava dentro de um avião, desembarcando nas montanhas do Colorado.
Foi por isso que eu fiz cinco faculdades, achei o homem da minha vida várias vezes, e às vezes, por uma noite só.
Foi por isso que aceitei namorar na primeira noite e terminei algumas horas depois.
Foi por isso que ganhei uma carta de amor por correio, um capítulo de um livro e uma aliança aos 18 anos.

É porque eu sou assim, menino do metrô, vivo muito intensamente.

Eu ia lhe pedir desculpas por te assustar.
Mas sabe o que eu gosto, quer dizer, o que eu gostei? Você parece ser muito parecido comigo.
Então eu não tenho que pedir desculpas por ter te assustado, mas eu queria que você não desse importância para todos esses textos em que eu falo dos meus sentimentos, porque eles estão só nos papéis.

Foi por isso que nossa noite não mereceu um texto. Por que eu gostei de você de verdade.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Não vou chorar

Acabei de lembrar do dia que eu peguei a minha carteira de motorista.

Nós já estávamos terminados. Ninguém nunca tinha dirigido seu Golf novo.
Você foi da Barra até a minha casa no Leblon só pra eu dirigir.

Eu passei a marcha sem o pé na embreagem e achei que você me mataria (o que faria em outros tempos).

Você riu.

E depois você me deixou em casa e colocamos no som a música que o Chiclete fez pra gente.
E eu chorei descontroladamente, dentro do carro, enquanto nos abraçávamos.

Não lembro o que você me dizia, porque devia ser lindo. E na época, eu me anulei em relação a tudo o que era lindo e vinha de você.

Mais uma lembrança que juntei com as fotografias e coloquei numa caixa vazia... O que restou do amor.




O casamento e as recordações escrotas II

Mais um casamento dos nossos amigos, né?
Isso devia ser proibido. Você e seu ex em casamentos de amigos em comum.
Tudo pra pensar que poderia ser nós dois ali. 
Tudo pra repensar porque nos separamos.
Tudo pro destino me dar um tapa na cara.

Tudo bem escroto, que nem no casamento anterior. 
Mas dessa vez, sem meus pais pra você ficar bajulando. Sem a minha mãe pra te contar a minha vida inteira e você depois vir fazer joguinho dizendo que sabia o que eu andava fazendo.
Sem meu irmão pra você brincar de lutinha enquanto eu converso com ele.
Sem minha família pra me lembrar, durante todo o casamento, o quanto a gente se gostava.

Foda-se. Eu disse mil vezes. Disse pra todo mundo que me falava o quanto era engraçado nos ver juntos no casamento da Lu. 

Eu morria de rir, brincava com todos e dizia o quanto sentia falta da época que éramos moleques e nossos grandes problemas eram quando tínhamos trabalho da faculdade pra fazer no final de semana
.
Morria de rir.
Até morrer de chorar, depois, sentada na escadaria daquele casarão com uma taça de champagne numa mão, um cigarro na outra e os pés descalços.

E teve toda aquela palhaçada de você ir atrás de mim, perguntar porque eu chorava e eu gritar mandando você ir embora dali.

-Tem certeza que quer que eu vá?

-Sai daqui!

Depois de um beijo roubado em que eu não tive reação alguma, você me deixou lá, no escuro.

Chorando... Até querer mandar tudo pro espaço, até querer que você não tivesse namorada há seis anos e que eu não fosse casada há quatro. Até querer tanto e ignorar, o que eu melhor sei fazer.

E então, curtir a festa.

Vamos combinar uma coisa? Nada de reparar na minha roupa, nada de reparar que eu chorei na cerimônia, nada de papo.

Vamos nos cumprimentar como duas pessoas quaisquer, como dois amigos, o que somos há mais de quinze anos. Se tiver que conversar, vamos ser rápidos, só por educação.
Mesma mesa, nem pensar. E então, eu vou embora cedo e está tudo certo.

Não sei quando vou conseguir, mas espero te olhar com aquela falta de paciência que eu tinha assim que nos separamos.
Sem arrependimento, e tendo a certeza de que, quando eu te deixei, chorando e dizendo que nunca mais ia amar ninguém, estava com a consciência mais tranquila do mundo.

Consciência filha da puta.



quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Premissas profissionais.

Não meu filho, não venha jogar seu charme pra cima de mim não, porque você vai se fuder.
Não me venha com essa sua blusa rosa clarinho da Polo, que me deixa mole de tanto charme.
Não me venha com esse seu jeito sério e aparentemente bravo com tudo. Me falaram que fora da empresa você é outra pessoa.
Não me venha com esse seu olhar fulminante pra cima de mim enquanto passa pelo vidro da minha sala.
Não me venha com esse seu ar sério sem me dizer "de nada" quando eu te agradeço. E pior de tudo, nunca mais, nunca mais - tá entendendo? - você cruze comigo e sorria respondendo um "tudo bom" quando eu te pergunto, séria - única e exclusivamente por educação - "tudo bem?", como forma de cumprimento quando eu cruzo com você pela primeira vez no dia.
Isso aconteceu apenas uma vez, mas se acontecer de novo, você vai ver.
Olhe bem, favor não manter nenhum tipo de contato além do estrito necessário.
E quando eu for treinar com você... Ah garoto... Não sorria, não dê um pio pra falar nada além de me explicar sobre a sua área.
E favor ser breve, não quero passar o dia todo do seu lado.
Grata.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Improbabilidades de um sábado de manhã

Sete horas da manhã meu despertador toca com a mensagem:"Ibmec te chama às sete da manhã". Como em todos os sábados, eu não me acostumo e penso porque eu resolvi fazer pós graduação em pleno sábado. E logo em seguida eu lembro que, pela primeira vez, eu tinha uma prova em que se me perguntassem meu nome, eu não saberia escrever. Depois de todos esses pensamentos, eu fiz o checklist diário no celular e fui me arrumar.
Andando pela rua que nem um zumbi, chego no metrô às sete e meia da manhã e espero. O lugar vazio que eu menos precisava andar para chegar era ao lado de um menino de skate. O meu primeiro pensamento foi cheio de raiva daquele menino saudável indo andar de skate àquela hora da manhã, ao invés de dormir até as duas da tarde, que era o que eu gostaria de ter feito. O meu segundo pensamento foi que ele era uma graça. O terceiro foi da porra da prova que eu não sabia nem o nome da matéria. 
Já de saco cheio de todo o meu dia já inteiro programado prova-chábardecasamento-ressaca, fui fazer o segundo checklist de apagar as fotos dos grupos do whatsapp que o meu celular faz o favor de gravar. Eu cheguei a ter um pouco de pé atrás daquele menino estar vendo eu apagando as fotos absurdas que meus amigos enviam nos grupos e pensar que era eu quem as salvava por vontade própria. Ele me acharia uma promíscua, lésbica, puta, anti-PT, rica e racista com os nordestinos (o que eu sou). Depois pensei: Foda-se, nunca mais vou ver na vida. Até que eu, acostumada a encostar meu skate por aí - deixando cair e sempre amparando com o pé e ganhando um roxo novo - vi a cena que já estou acostumada: o skate do menino que acorda às sete da manhã num sábado lentamente indo de encontro ao chão. E eu, no meu cotidiano reflexo, coloquei o pé para amparar. Em vão. Só deu tempo do menino distraído ouvir o barulho, pegar do chão e me agradecer. A situação, que durou meio segundo, me despertou e eu lembrei da prova. Peguei um único papel que tinha algumas anotações e comecei a ler.

 -Prova?

 -Oi? Ah, é... Um saco.

 E então o diálogo continuou com a pergunta que estava me incomodando:

 -Por que você não está dormindo agora?

 -Marquei com uns amigos de ir de skate até Copacabana...

 Um dia eu queria ser assim, imagina, não acordar querendo morrer de tanta ressaca e ser saudável em pleno sábado de manhã. Conversa vai, conversa vem e saltamos no Centro, onde ele iria iniciar seu trajeto de skate. Não fomos cada um pra um lado, ele me levou até a porta do Ibmec, num ato de fofura.

 -Não sei seu nome!

 -Felipe. A gente se fala.

 -Tá bem.

 Prova.

 Chá Bar de casamento. Meu celular apita: "Como foi na prova?" Fofo. A conversa começou cheia de brincadeiras e assuntos interesantes. E obviamente, eu fiquei encantada.

 Final do Chá Bar: Meia garrafa de Gin, a única bebida que não tem carboidrato. Sem condições alguma de manter qualquer tipo de diálogo, o meu subconsciente continuou a conversar com o menino do metrô. E última coisa que meu subconsciente, sensatamente, escreveu foi:

"Felipe, acabei de chegar em casa. Vou dormir, tô exausta. Beijos."

 Pefeito. Consegui não estragar tudo! Acordei com uma mensagem dele: "Me ama?"

 Eu fiquei sóbria de novo na hora. Sóbria e desesperada, pensando: Eu não seria capaz. Eis que eu criei toda a coragem do mundo, que sabe Deus de onde eu tirei, porque eu não tinha nenhuma e abri o celular. Exatos vinte minutos depois de uma lucidez extrema em que eu me despedi, havia lá um "eu te amo". Enfim... Depois de tentar inventar várias desculpas até ele me dizer um: "Vou fingir que acredito pra encerrar o assunto.", eu abaixei a cabeça e ganhei o apelido de "amor", em um áudio fofo na manhã seguinte.

 O tipo de coisa que, só quem é phd em cagadas, faz.