segunda-feira, 4 de julho de 2011

Essas vontades

Eu e essas minhas vontades de escrever, de gritar pro mundo, de mandar todo mundo ir se fuder e amar a todos tão intensamente. Ah, nem eu entendo. Sabe-se lá o que eu quero escrever. Nesse momento meus principais problemas são meu celular que a conta veio trezentos e oito reais, e eu fico puta quando vou pagar, pq eu só uso essa merda a trabalho e pra falar interurbano, e juro que vou cancelar desde o ano passado e tenho preguiça, meus funcionários que não fizeram ainda uma merda de um exame que eles têm que fazer e eu tenho preguiça de correr atrás, meu namorado que resolveu encher a porra da cara e ficar no bar até meia noite, enquanto se eu fizer isso eu sou crucificada e meu apartamento que vai ficar pronto e eu não tenho todo o dinheiro que eu queria ter pra comprar minha máquina de lavar e secar, pq eu gastei todo meu dinheiro num carro novo, pq eu e meu amor entramos na concessionária só pra saber quando ainda faltava pagar do nosso carro e saímos com um zero. Enfim, tenho problemas fúteis! Se todos os problemas do mundo fossem que nem os meus, todos teriam que estender a roupa no varal e andariam de carro novo. Um "vai tomar no cu" bem grande pra mim. Antes meus problemas eram meu relacionamento que era uma bosta e minha família que morava longe, mas agora meu relacionamento tá um mar de rosas e minha famíla está pensando em vir pra cá! Viva! Sou uma menina sem problemas. Mas eu acho que isso de repente é um problema, não é possivel! Emprego ótimo, meu chefe me acha a pica das galáxias e meus funcionários me dão presentes todos os dias, às vezes eu saio com a bolsa tão pesada de filmes piratas que eu disse que queria ver e ganhei no dia seguinte, de balas compradas em ônibus, de flores rosas para colocar na cabeça, de bolos de chocolates que são trocados por almoços na loja de doces do shopping, de anéis do camelô de um real, etc. E esses presentes, meu amigo, valem mais que jóias de diamantes pq são dados com tanto amor, que quando eu to na tpm meus olhos se enchem de água. É uma delícia ser chefe, além de você não ter que se reportar a ninguém, você é sempre o centro das atenções! Viva eu ser pseudo-leonina!
Okay, gostaria de dizer a todos que eu me convenci que minha vida tá o maior barato! Sim, está. Eu não me preocupo mais com dinheiro, pq eu aprendi a gastar e a economizar principalmente (menos no celular), e por isso eu posso comprar sessões de drenagem linfática e clareamentos dentais! Eu arranjei tempo pra ir na academia, mesmo quando esse tempo é seis da manhã e é simplesmente uma de-lí-cia malhar antes do trabalho, pq quando vc chega dele, dá vontade de malhar de novo. Sim, estou trabalhando nas minhas celulites e na minha barriga, resolvi ser gostosa.
Peraí, o que eu tinha pra desabafar era tudo isso aí em cima? Realmente eu escrevi só bons problemas e luxos que estão sendo devidamente sustentados?
Uau. Eu mudei. Agora eu me valorizo! Eu não me acho mais um ser pequeno e insignificante no mundo!
Viva! Eu sou foda. E ai de quem duvidar.
Vai um licor de chocolate pra brindar o meu sucesso?

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Mochila amarela

- Tá fudida, vou te pintar inteira!
-Como você sabe meu nome?
-Sou amigo do fulano.
-Ahn...
Eu também lembrava dele. Carnaval de uns três anos atrás, era o Pedro.
Trote na faculdade, ele era meu veterano. Que ótimo...
Lá se foram cinco dias voltando pra casa toda pintada e uma semana com cabelo azul da tinta que não saía.
Chegou a sexta-feira, choppada, ufa! Eu e ela já estávamos com nossas cervejas, e me vem o Pedro, com esse diálogo, exatamente:
-E aí? Tá há muito tempo aqui?
-Acabei de chegar.
-Vou lá então...
Ele passou a mão no meu ombro e foi embora.
-Ele tá afim de você - Ela falou.
-Ahn?
-Ele tá afim de você.
-Não viaja.
Isso tudo foi motivo o suficiente para que meu castelo de areia desmoronasse.
Na semana seguinte, eu tinha aula de geometria descritiva, e tinha a folha de exercícios 1 pra fazer. Nos encontramos e eu disse que não sabia fazer, ele disse que me ajudaria e combinamos de nos encontrar na sala de estudos ao 12h do dia seguinte. Eu estava lá 11:45, ele não apareceu até 13h. Fui pra Choppada no mesmo dia - sim, tinha choppada quase todos os dias -, e esperei ansiosamente ele chegar. Esperei porquê desde o momento em que ela falou que ele estava afim de mim, eu havia me apaixonado por ele. Vai entender a força das palavras daquela melhor amiga pro resto da vida (sim, Tchu!). Ela me fudeu!
Eu tava  muito nervosa, e piorou quando aquela mochila amarela vinha cruzando o gramado. Eu tava cheia de desaforos pra dizer a ele, mas não disse nada. Ele que veio:
-Pô, foi mal, nem deu pra eu ir hoje...
-Tranquilo...
E foi dar uma volta. Eu não entendia porque meu coração vagabundo tava daquele jeito.
E nesse dia ele olhou pra mim e tentou me beijar, eu disse:
-Tenho namorado.
E fui embora. E toma-lhe pensar nele! O final de semana passou mais lento do que o normal, e o intervalo da aula de segunda feira iluminou meu dia. Passamos a conversar mais naquela semana, porque eu sempre estava onde ele estava e coincidentemente, ele sempre estava onde eu estava também. E na quinta-feira voltamos juntos de ônibus, tava trânsito, ele pegou a minha mão e olhou minha aliança, eu a escondi e ri. E conversamos até chegar em casa.
Chegou a sexta-feira e junto com ela, a Choppada. Eu estava ansiosa pra começar logo, e as aulas foram inúteis naquele dia. Ele havia sumido na hora, e eu achei que ele tivesse ido embora. Eu enchi a cara, como de praxe e algum tempo depois ele apareceu, com novas bebidas. Foi direto na minha direção:
-Não parei de pensar em você desde ontem.
-Você tá bêbado.
Ele fez o 4: Não estou não.
-Então tá maluco.
-Você acha?
-Acho.
Ele desapareceu de novo e eu fiquei ali parada tentando assimilar as palavras que saíram da minha boca antes sequer de eu dar tempo do meu coração mandar uma mensagem pro meu cérebro!
Ele voltou. Eu não falei nada pra ninguém, eu o vi vindo lá no final do corredor, e fui igual a uma maluca na direção dele. Coloquei uma mão em cada ombro, o encostei na parede e lá foi:
-Agora você vai ouvir! Você acha o quê? Me aparece na minha frente falando que não parou de pensar em mim? Você quer saber, quer? Eu não paro de pensar em você, você tá me deixando maluca porquê eu tô apaixonada por você e eu tenho namorado! Por quê você não foi fazer a folha de GD comigo? Eu tava lá te esperando! E eu lembrava seu nome também!!!
-Então larga seu namorado e fica comigo!
-Eu não posso!
-Não pode o quê! Você tá dizendo que tá apaixonada por mim e eu também tô por você!
-Não!!! Chega!!!
E saí...um pouco em pânico.
E essa história rendeu bons semestres da faculdade. Eu estava perdidamente apaixonada, mas não tinha culhão pra largar meu namorado. E foram dias e dias voltando juntos da faculdade, indo juntos, passando a tarde nas choppadas juntos, nos abraçando, mas sem se beijar, porquê eu achava que seria traição apenas se eu o beijasse, mas deixar ele me beijar inteira era ok, que bobagem....
E sempre bêbados nos declarávamos, eu chorava, e brigávamos! Jurávamos que não nos falaríamos mais... Era até engraçado, ele me pegava pelo braço, me fazia declarações de amor, pedia pra eu largar meu namorado e ficar com ele, e eu quase morria, jurava amor eterno a ele, mas dizia que não iria trair meu namorado, e ele sempre ficava muito puto, me xingava e dizia que não ia falar comigo nunca mais, e chegava o final da choppada, lá estávamos nós, juntos outra vez, mais bêbados ainda. Era toda semana a mesma coisa. Algumas vezes variavam, como da vez que eu o vi ficando com uma amiga minha. Teve o mesmo começo, mas teve uma hora que eu falei alguma coisa pra ele, que ele disse "então morreu", se virou e sumiu, e então eu fui correndo falar pra ela tudo o que ele tinha me falado e eu também, e pedi pra que ela lembrasse pq eu tava muito bêbada e não lembraria depois. Mas amiga que é amiga tá bêbada também, e então ela se esqueceu, óbvio. Só sei que eu o vi ficando com uma amiga minha. Na mesma hora, eu quase morri e fui embora correndo, eis que uma outra amiga me viu e foi atrás de mim. Eu sei que eu ouvi a voz dele, não sei como. Ele me chamou uma vez, eu não virei, meu chamou a segunda, eu continuei andando, e ele puxou minha amiga e disse que sabia que eu tava muito puta, mas que na segunda-feira falaria comigo. Ele não falou nunca, porquê também estava muito bêbado pra lembrar. Nesse dia a noite, eu estava indo prum casamento e de dentro do taxi eu o vi, com a mochila amarela andando pelo meio da rua, na chuva, sozinho....
Vieram as férias e junto com ela, o fim do meu namoro, porquê não dava mais. Além de eu ter me apaixonado por outra pessoa, a vida me apaixonava ainda mais e eu precisava vivê-la.
Mais um semestre começava, e eu precisava encontrar com ele. No final do semestre passado, ele já não falava mais comigo e nem eu com ele, brigávamos o tempo todo e ele só me dizia que eu era uma mimada, cheia de vontades, tudo tinha que ser do meu jeito e eu era uma mandona! Ele era louco por mim. Eu era louca por ele. Sempre que tínhamos oportunidade, brigávamos um pouco mais, era delicioso.
Era o primeiro dia de aula, e eu estava esperando o elevador. Quando a porta se abriu, ele estava saindo e eu entrando, paramos no meio, entre as várias pessoas que nos esbarravam!
-Como você tá?
-Solteira - Foi tudo o que me veio na cabeça! Era pra eu responder que tava bem, sei lá.
-E eu casado.
Juro!!! Meu chão caiu e eu entrei no elevador querendo morrer!
Mas como a mulher sempre tem o controle e homem é sempre filho da puta, eu não deixei a peteca cair.
Que venha a choppada. Que venha aquela mochila amarela.
Já estávamos bêbados, conforme manda o figurino e eu o puxo.
-Esse namoro é sério?
-Quê?
-Vai, responde. Esse namoro é sério?
-É um namoro.
-Mas é um namoro sério?
-O que você chama de um namoro sério?
-Se não for sério você vai lá no segundo andar comigo, se for, você não vai.
Eu mal tinha terminado a frase quando ele me puxou pelo braço.
Entramos no elevador, cada um num canto, quando as portas se fecharam ele me agarrou da forma mais gostosa do mundo e não paramos de nos beijar. Entramos numa sala que dava pro teto de um prédio. Pulamos a varanda e ficamos ao ar livre, sentados com as pernas balançando lá pra baixo, onde estavam todos se divertindo. Deitamos e ficamos olhando as estrelas e dizendo o quanto havíamos esperado por aquele momento.
Mas como não existe conto de fadas, ficamos algumas vezes e depois abandonei a Arquitetura. Muito chato.

"Hoje eu queria tomar um café ouvindo você suspirar, me dizendo que eu sou a causadora da sua insônia e
que eu faço tudo errado sempre..."

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Depressão internacional

Todo mês é a mesma coisa. Minha TPM chega de avião, uma viadagem só. Ela faz questão de dar uma passadinha na Dinamarca, um pitstop nos States e, porque não?, uma paradinha no Rio e Espírito Santo, e enfim, desembarca com tudo, em Salvador. É uma merda. Ela faz questão de bater um papo com todos os meus amores, todos os que um dia foram os homens da minha vida, todos os bons partidos que eu fiz questão de mandar pra putaqueopariu. Enfim, minha Tpm faz questão de me fuder todo mês.
E lá vem ela, junto com milhares de lembranças que me fazem encher os olhos d´água, relembrar músicas, fantasiar cenas, e me culpar por cada coisinha que eu fiz de errado, e só soube depois. Porra, será mesmo que eu tenho que me culpar por tudo o que eu fiz? Eu tava curtindo, pô, pode ser? Eu não tava no clima, eu queria curir. Foi mal! Será que eu tenho que espalhar outdoors pela cidade, quer dizer, pelo mundo, pedindo perdão para todos que eu magoei. Pera lá! Eles me magoaram também, não conta não, é? Eles me deixaram fudida. Tudo bem que fui eu quem foi embora, mas eu sofri, eles me abandoram depois também. A culpa não é só minha! Se eles tivessem tpm, eles iriam ver que também contribuíram pra eu me mandar! Que graça tém só eu levar a culpa? E pra quê, me diz, pra quê minha tpm tem que passar em Copenhagem? Porra!!! Eu não quero lembrar dele, não quero, passo o mês todos numa boa, sem doença nenhuma e me vem ela e estraga tudo? Ao som de "underneath your clothes, there's an endless story...", me vêm as lembranças, as histórias, os sorrisos, a mágica daquele segundo encontro e a dúvida de como o destino fez aquele milagre. Seria mesmo normal, uma menina se apaixonar por um menino só pelo olhar dele, e ao passar a noite com ele, o amar perdidamente? Seria normal ela acordar no dia seguinte e ao perceber que ele não estaria lá na hora marcada (porquê havia ido mais cedo e ela não estava), ela chorar e não conseguir mais levantar da cama? Seria normal ela passar uma tarde abraçada ao travesseiro chorando, simplesmente por achar que o menino que ela conhecera no dia anterior havia ido embora? Não! Não é normal. Claro que não é. E então, lá vai ela pra Califórnia. Mais precisamente para a Black Mountain Rd, e ainda mais a fundo, ela me faz reviver aquele momento escuro do carro para a porta da frente, que sempre estava aberta. E depois ela sobe aquelas escadas atapetadas e vai direto prum quarto de menino, com um cachorro boxer sempre acompanhando. Porra, e ela passa por tantos momentos, tantas palavras em inglês e tantas feridas que aparecem quando eu ouço aquela música, Caralho! Essa tpm me fode!!! E ela me deixa ainda mais alcoólatra, e tpm chique que se preze pede whisky, licor de chocolate, conhaque, juro, eu tenho vontade de beber conhaque! Caralho! Eu odeio essas bebidas, eu gosto de cerveja! E ela vai pro Carnaval de Ssa e um segundo depois vai pra Vitória! Ela me ilude, eu penso em dar uma risada lembrando das putarias do carnaval e me aparece ele, todo lindo, e ela vai direto pros momentos em que eu mentia descaradamente pra ele, que era o vulgo amor da minha vida, e lá vai... ralo a baixo, lá vai ele... E minha tpm lá, vibrando com minha tristeza profunda. Porra, na hora eu ria! Tenho mesmo que ficar me lamentando agora?  E toma-lhe bebida! Até cachaça... Sim, uma cachacinha ma-ra-vi-lho-sa de Minas. Quero, claro - digo eu, salivando por um shot...
Vai entender... Alguma coisa em mim tinha que ser chique.
Que seja apenas uma vez por mês....

sábado, 18 de junho de 2011

Ele.

Eu tinha saído do trabalho e fui encontrar com minha amiga, precisava de algum álcool no meu corpo e lá se foram duas grandes taças de Cabernet Sauvignon. Ela foi trabalhar e eu estava sem meu carro vermelho, o que cá entre nós, me aliviava um pouco. Fui pro ponto de ônibus e é impressionante, eu não resisto a um isopor. E lá veio pra mim, meu bom e velho latão. Comprei e fui pro lugar que eu sei que meu ônibus pararia. Não queria encontrar ninguém. Era eu e meus momentos de sempre. Adorava uma baixaria, um ponto de ônibus, com música alta, cerveja de latão e muito lixo no chão. Aquilo era minha cara.
De repente alguém me puxa pelos braços. Ele.
A última pessoa que eu poderia encontrar, o único que invade meus sonhos e faz o favor de revirar uma parte dos meus sentimentos que nem eu mesma sabia que existia.
A gente riu e eu disse que não esperava encontrar ninguém. Eu sabia que ele havia adorado me encontrar, principalmente naquela situação. Mulheres comuns não têm vontade de cervejinhas no ponto de ônibus e eu tenho. Ele me admira e gosta de mim do jeito que eu sou.
Ele disse que me amava.
Eu acho graça.

Ela.

Era sábado. Eu tinha acabado de sair do trabalho, cansado pra caralho. Arrumei minhas coisas e não me dei ao trabalho de dar tchau pra todo mundo. Queria logo sair dali. Depois de andar pelo shopping, desviando de pessoas que olhavam vitrines e me irritavam a cada metro, eu cheguei no ponto de ônibus.
Eu tava lá, sem paciência nenhuma, encostado, esperando meu ônibus. De repente aquela imagem. Na verdade eu não acreditei de primeira. Ela tinha acabado de comprar um carro vermelho e estaria lá? Que nada.
Ela estava. No meio de uma multidão eu a vi. Sapatilha, calça preta justa e camisa vermelha social, com um decote que eu sonhei durante várias noites de minha vida. Toda atrapalhada, lá vinha ela. Esbarrando em todo mundo sem perceber (como ela sempre fazia), e com um latão na mão.
Eu a reconheci pelo seu jeito de andar. Nunca vi alguém esbarrar em todo mundo e não perceber de maneira nenhuma. Com aquela cerveja na mão. Nem combinava. Ou combinava demais. Quem a conhecia sabia que aquilo ali era a cara dela. Quem a via, não entendia nada.
E ela veio. Ela passou por mim sem perceber, olhando pra trás e vendo se seu ônibus estava chegando, e quando ela ia esbarrar em mim, eu a peguei pelo braço. Ela parou de uma maneira brusca que a sua franja caiu sobre seus olhos e sua cerveja derramou um pouco no chão. Ela olhou pra mim e começou a rir.
-Não era pra ninguém me encontrar assim.
-Assim como?
-Ah, acabando de sair do trabalho e desejando uma cervejinha de ponto de ônibus.
Eu a abracei. Foi a única coisa que me veio à cabeça. Eu a abracei forte e disse o que eu já havia dito algumas vezes:
-Eu te amo.
Ela acha graça. Eu digo e repito que ela é a mulher a minha vida, mas ela... ela acha graça.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Por favor, morra.

Andei pensando, por que você não vai pra puta que pariu? Por que não vai se fuder?
Vai à merda!!! Eu odeio você, eu odeio essa tempestade que você causou, essa confusão, isso tudo que tá aqui e que você faz questão de estragar todos os dias.
Não, eu não sou sua princesa, seu idiota. Você não é meu anjo também. Nunca foi mesmo. Nunca fui também.
Foi só um lance, uma coisa idiota, uns diazinhos imbecis que qualquer pessoa vive.
Grande merda aquela bandeira dos Estados Unidos, com o que você escreveu, aquela pulseira ridícula também, meu cordão, as mais de 500 fotos (sim, juntando minha máquina com a sua, foram 527). Sabe de uma coisa? Podia juntar tudo e colocar dentro de um saco de lixo desses azuis, bem grandes e sumir com ele. Podia sim.
Você é um bosta, um merdinha, um loirinho de olhinhos azuis enjoados. Fala mansa, inglês perfeito, cursando medicina. Ridículo. Um dinamarquezinho de nada. De nada. E que não me acrescenta nada.
Sabe aquilo que falam de apagar pessoas? Sim, " se você pudesse escolher, quem apagaria completamente da sua vida?" Você. Claro que seria você. É o meu primeiro da lista. P-r-i-m-e-i-r-o. Sem sombra de dúvidas. Eu não apagaria o desgraçado do meu americano shato que fez eu sofrer o pão que o diabo amassou, nem meu primeiro namorado, que eu jurava que casaria e hoje deve estar prestes a casar, nem meu ex trintão que tinha uma noiva e eu ao mesmo tempo. Nenhum deles. Eu apagaria você, que fez eu viver os dias mais encantados de minha vida. Foda-se você e nossos dias. Foda-se que nos olhamos e nos apaixonamos. Foda-se os Jeg elsker dig, e os Te amo, que talvez tenham sido os mais sinceros de nossas vidas. Eu te amei quando disse, e foi o primeiro jeg elsker dig que você falou pra alguém. E daí que passamos quatro dias grudados, só nos separando para os 15 minutos do banho, que a gente sempre trasformava em 10, o que já era muito, cá entre nós. Foda-se tudo isso. Foda-se que você me achava a mulher mais linda do mundo, sua princesa. Quem se importa com tudo isso? Eu não me importo.
Obrigada por sumir, obrigada por não me responder, obrigada por ter vindo pra Venezuela e não ter vindo pro Brasil. Obrigada!!! Obrigada Morten Wibroe. Fique na Dinamarca e me esqueça, se ainda lembrar um milímetro de mim. Rasgue as fotos, queime, jogue no lixo, desapareça. Esqueça que vivemos quatro dias juntos e juramos que demoraria muitos anos, mas ficaríamos juntos.
Eu já esqueci, como dá claramente para perceber. Eu já esqueci das minhas lágrimas, e de como Las Vegas ficou triste depois que te deixei e fui pra lá, esqueci que dormimos a última noite no basement do albergue porquê queríamos ficar sozinhos, esqueci os I love you, esqueci os sorrisos, as conversas, as risadas, a vodka Skol e o suco de laranja, esqueci a tarde deitados no meio da rua olhando o céu e dizendo que sempre que olhássemos lembraríamos daquele momento, esqueci que você tirava fotos de mim quando eu não estava vendo e eu só soube quando olhei sua máquina escondido, esqueci do Mc Donald's e do "amo muito tudo isso", esqueci do "what do you feel like?" "you...". Lógico que eu esqueci dos abraços, dos beijos, dos carinhos, dos "my beautiful angel with blue eyes", o que eu mais esqueci é do "underneath your clothes...thats the man I chose, there's my territory....", esqueci também das mensagens, de você escrevendo que nossas fotos queimavam como chamas e que você havia guardado para não olhar, mas do mesmo jeito queimava, que aqueles 4 dias pareceram 400 e que não era pra eu esperar, era pra eu saber que nos encontraríamos de novo. Era sua promessa. Ridículo. Tudo bem ridículo, assim como o amor, ridículo.
Obrigada por nunca mais ter respondido meus e-mails e por não me adicionar como amiga. Sua blusa tá péssima na foto. Assim como estava péssima naquela nossa primeira noite, em que deitamos na grama e terminamos a noite bêbados e apaixonados. A mesma blusa colorida, e feia, que um dia foi tão bonita.
Quando aquele tal dia chegar, você disse que demoraria vários anos, não se esqueça de me esquecer.
Nunca me procure, nem ouse lembrar que eu existo, nem ouse!
Eu vou estar muito feliz, com alguém que me fará muito feliz, que fará, com toda a força que se deve ter, eu esquecer que um dia você existiu.
Faça o favor de se matar, pq eu já tentei mil vezes te fazer morrer e você resiste.
Vá pra puta que pariu, como já disse antes.
Eu odeio te ter dentro de mim. Por favor, morra!

"To my big brazilian love!
You are the coolest cutest chick I have ever met - Thanks for everything.
 I am so sad that I have to leave tomorrow,
but I am already looking forward to see you in Munich, Denmark, and in my dreams...
Okay, that was pretty corny, sorry about that.
'Till next time, I'll never forget you.
Jeg elsker dig.
Morten"

segunda-feira, 16 de maio de 2011

M&m's

Era mais um dia daqueles que eu sabia que sairíamos. Não sabia se era meu namorado, ou amigo, mas era o amor da minha vida. Aquele típico friozinho da noite da Califórnia fazia nossa noite ainda melhor. Era um dia normal. Eu tinha trabalhado e ele estava de folga. Disse que me ligaria. Ligou. E como já havíamos combinado, iríamos ao cinema. Havíamos combinado no dia em que minha escala saiu. Ele programava nossas folgas, me obrigava a folgar nos dias de seu futebol, afinal eu tinha que ver. Ai de mim, se fosse trabalhar no dia do jogo. Ele armava todo o esquema, teve um dia que me fez passar vergonha! Eu havia esquecido do jogo dele de domingo de manhã e um amigo do trabalho havia pedido pra eu trocar com ele, e eu disse que sim, e ele ouviu, disse:
-Não, você não pode trocar não...
-Quê? - Eu e o menino o olhamos.
-Você não pode trocar com ele...
-Não posso?
-Não! Você esqueceu que tem o jogo do seu irmão?
-Jogo do meu irmão?
-É, amanhã é domingo e seu irmão tem jogo de  futebol..
-Ah...- me toquei! Verdade... o jogo do meu irmão.
E era um frio danado que eu sentia naquela arquibancada. Ninguém ia assistir aos jogos de seus maridos, namorados, etc. Eu ia. Ele fazia toda a questão do mundo. Eu ficava lá, com o casaco dele de capuz, com o capuz, claro. Tinha frio, muito frio e na hora de ir embora, no carro, ele ficava todo suado, mas ainda assim, ligava o aquecedor. Eu estava com frio.
Mas voltando... era mais um dia em que íamos no cinema. Saí do trabalho, e fui pra casa dele.
Fumamos um, como de costume também. Era verde-água, delícia. E começamos aquela onda que eu só tinha com ele. Que ele só tinha comigo. Começou o ataque dos dois.
-Calma aí! Calma aí! - Eu falava tentando retomar o folêgo que eu havia perdido de tanto rir - A gente tem que escrever! A gente  tem que escrever pra não esquecer depois nossas viagens!
-Sabe qual a diferença entre o elefante de Ásia e o da África?
-Pára! Pára! Minha barriga tá doendo!
-Porquê você fala "so funny" fazendo essa mãozinha?
-Grrrr... like a lion - com os pés, imitando uma pata de leão.
-Esse quadro é pintado?
-É uma pintura.
-Mas ele é pintado?
-É uma foto de uma pintura.
-Mas um dia ele foi pintado?
-A pintura foi pintada.
-Mas foi pintado algum dia?
-Sabia que existe carangueijo azul?
-Tim-tim.
-Cheang-Cheang?
-Não, tim-tim.
-Weird...
E fomos ao cinema. Enlouquecidos, morrendo de rir, depois de anotar nossas besteiras no papel.
Você escolheu o filme, que não foi o que eu quis, porque você nunca queria ver meus filmes!
Ok. Entramos na sala, depois de comprarmos M&M's. Enchemos nossa mão do chocolate das máquininhas de moedas de 0,25 cents. Eu comi todos os meus, matando a minha larica. E começaram os trailers. Eis que você diz:
-Vou mudar o carro de lugar.
-Quê?
-Vamos lá, vou mudar o carro de lugar.
-Como assim? Tá maluco?
-Vou mudar, vamos.
-Não! O filme vai começar! Quer mudar porquê?
-Estacionei muito longe...
-Maluco...
Fomos. Saimos da sala, e eu com as mão meladas de m&m's e você ainda com os seus. Ao passarmos pelo carinha que pegava os ingressos, você não falou nada, simplesmente abriu a mão, olhou pro carinha, olhou pra sua mão de novo e lá se encontravam dois m&m's azuis e três amarelos. Passou. Eu passei atrás, meio encacucada...Ele não deveria dizer que íamos no estacionamento e voltaríamos? Depois de não chegar a conclusão nenhuma, eu perguntei:
- Pq vc mostrou os m&m's pro cara?
-Ué, pq quando a gente voltar, eu vou mostrar de novo os m&m's e ele vai lembrar.
-Ahn...
Ele era assim. Me encantava com as maluquices. Como o despertador dele, o horário dele acordar era qualquer hora e três minutos. Nunca zerado. 6:03, 7:33, etc. Isso me enlouquecia e me apaixonava demais.
Fomos pro carro, aproveitamos o embalo, fumamos mais um, e conversando, morrendo de rir dos m&m's, mudamos o carro de lugar, e voltamos pro cinema.
No caminho de volta, ele simplesmente para, arregala aqueles olhos azuis que eu tanto amava e diz:
-Não podemos voltar!!!
-Como não?
-Não dá mais!
-Pq não???
-Eu comi os m&m's!!!
Valeu a noite. Valeu o dia, valeu todo o sentimento que eu tive por você. Você acreditava naquilo, de que adiantavam os ingressos que estavam no meu bolso, se você tinha comido os m&m's amarelos e azuis que você estava guardando com tanto entusiasmo? Ah, garoto... Como conseguia pensar nessas coisas? Como sua cabeça adulta fantasiava nossas besteiras?
E rimos, mas rimos tanto. Eu olhava pra sua carinha tão arrasado sem os m&m's, e delirava.
Eu não lembro o filme que vimos, o que eu sei é que demorei mais de dois anos pra ir ao cinema de novo, pq tudo dentro daquela salinha escura me lembra você e isso me faz entrar em pânico....
Thanks for the memories baby...