terça-feira, 20 de outubro de 2015

Quem você pensa que é?

Quem é você e por onde você andou?
Você é mais um, né? Mais um daqueles que eu acredito que eu estou envolvida e logo depois passa?
Quem é você que me toca desse jeito?
Que eu não tenho vontade de contar pros outros?
Não faz mais isso, por favor?
Não desperta isso em mim, não desperta...
Não faz eu me envolver desse jeito, não dá, você entende?
Eu não sou forte, eu não vou conseguir sair.
19 de abril

Sem juízo.

Me tira do sério.
Me tira o sono, o juízo, a concentração.
Me enche.
Me enche a cabeça, o corpo, o saco.
Me enche de desejo, de cansaço e de tesão.
Me enche de inteligência, que transborda em cima de mim, de preocupação comigo, com os meus deveres. Toma conta de mim, de tudo. Me tem como propriedade.
Me manda: 'Diz q é minha. Diz que é minha.' Com todo aquele jeito de segurar meus braços e fazer eu me entregar por inteiro.
Toda, cada pedaço. Tudo seu.
Faz o que quiser.
17 de abril

domingo, 31 de maio de 2015

Falta de ar.

Eu queria começar escrevendo o quanto está sendo maravilhoso os momentos em que você me enche de tantos beijos, que às vezes me falta o ar. Não me falta o ar porque você me enche o peito de carinho apenas, mas porque junto a isso, você me abraça tão forte, que eu já não sei nem mais quem sou.
Eu poderia dizer quantas vezes em um dia eu fecho os olhos e tento voltar no momento em que estávamos no carro, e você me informava, sem perguntar, "você é minha", enquanto beijava meus olhos fechados, "minha...", minha testa, "minha...", meu ombro, falando tão baixinho, até não sair mais som. Meus olhos molhados, tinham vontade de te perguntar "por que só hoje?", mas meu coração tava tão cheio, que eu tava sufocada, e mal conseguia ter forças para manter minha mão no seu rosto.
Eu queria entender como nossos entrelaços chegaram ao ponto de conseguirmos nos tocar em cada pedaço do corpo um do outro, seja quando me beija com a mão nos meus pés, ou dorme mergulhado no meu peito, enquanto te cubro com minhas pernas. Ou quando me abraça por trás e consegue alcançar cada canto de mim, enquanto meus pés procuram os seus.
Quando foi que nos perdemos?
Em que momento passamos a nos chamar de amor, enquanto você passava a mão pelo meu cabelo? Quando foi que trocamos noites de bebedeira, sexo, celulares perdidos, roupas molhadas, ressacas e ciladas, por noites sem cerveja, com abraços de mãos no rosto, massagens, cafunés, beijos sem fim, pés se esquentando, e sono?
Eu tento, todos os dias, entender onde fui me meter, por que eu faço isso comigo... Eu tento entender por que as coisas sempre são complicadas pra mim, e por que eu sempre quero quem eu não posso ter.
Mas quando estou tentando te esquecer, você me manda uma mensagem me lembrando que estar em contato com você tira meus pés do chão, e então eu me esqueço o que estava fazendo.
Não sei há quanto tempo eu não sinto algo parecido com o que eu sinto quando você me beija. Pra te ser bem sincera, eu esqueço um pouco do que eu senti pelos outros, mas acho que lembraria se fosse algo parecido com o que você desperta em mim.
Eu não tenho forças pra enfrentar tudo o que está por vir, então se eu pudesse fazer um pedido, eu gostaria de nunca ter perdido o ar.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Quando aconteceu, que eu nem percebi?

Já haviam me falado. E não foi uma ou duas vezes, foram algumas.
E eu morria de rir, óbvio que não.
Todos os sinais que iam aparecendo eram ofuscados por boas bebedeiras em que acordávamos abraçados.
Cada dia que acordávamos era um acontecimento diferente...
Um dia você estava fazendo a barba no espelho depois do banho e eu sentada de pernas cruzadas, com a sua blusa amassada...
Em outros você me fazia cosquinhas dizendo que não entendia o dialeto que eu falava quando acordava, ou não me deixava dormir me mordendo e me fazia acordar com tantos roxos na perna que parecia que eu havia ido ao FlaxFlu na época da arquibancada mista do Maracanã....
Ou então não me deixava acordar quando meu despertador tocava, ou me acordava no susto dizendo que eu não tinha te chamado quando seu despertador "pelada sagrada" tocava, mesmo quando eu já tinha tentado 18 vezes antes....

Você é tão diferente dos outros que até escrever sobre você é difícil...
Às vezes eu penso que não, sabe... Claro que não.
Mas ao mesmo tempo eu não entendo porque eu ainda não mandei mensagem bêbada, não cedi há muito tempo às suas mensagens tentando se aproximar, não respondi no mesmo clima melancólico que o seu... Eu teria falado um monte, um monte!, exagerado tudo e jurado nunca mais deixar você encostar em mim, teria falado todas aquelas frases decoradas que eu falo pra todos. Por que eu não estou conseguindo sentir aquela necessidade de estragar tudo??

Eu não posso! Há quanto tempo eu não me apaixono por alguém? Eu me apaixonei por alguém, de verdade, nesses últimos tempos?
Eu não entendo...

Eu lembro de ficar olhando pra sua mão quando estávamos deitados, acordando... Estávamos abraçados e você me deu a mão e ficou fazendo carinho. Eu fiquei olhando seus dedos se mexerem sobre a a minha mão bem sonolentos e eu senti meu coração meio esquisito.
Será que foi aí que me contaminei?
Ou foi quando você me disse que já era hora de deixar minha escova de dentes na sua casa?
Ou quando você foi me pegar em dez minutos, só pra gente ficar junto?
Será que foi quando não entramos no show e fugimos de todo mundo porque queríamos dançar?
Droga, será que foi no dia da praia? No dia que eu coloquei a sua bermuda e entrei no mar? No dia que você pediu pra eu ficar com seu celular? No dia que perguntaram se "sua namorada" ia e você respondeu que "sim, ela vem"? No dia que compramos duas pizzas enormes sem a menor noção porque estávamos bêbados? Bem na hora que colocamos "Claudinho e Bocheca" no quarto e ficamos dançando até cansar? Que nossos amigos gravaram vídeos e, no fundo, a gente aparece se beijando e rindo?
Não... Não pode ser.

Vou ver quais são os remédios pra essa tal dessa minha vontade de me comportar, de querer dormir e acordar com você.
Eu hein...

sábado, 8 de novembro de 2014

Na cama com preguiça

Psiu... Tá na hora de você começar a se arrumar pro casamento.
Sei que a essa hora você tá deitado, se espreguiçando, e dizendo: Preguiça da porra....
Eu podia apostar na mega sena que é exatamente isso o que você está fazendo agora.

E eu sei que você podia apostar que eu já estaria me arrumando. E estou.

Estou me arrumando, procurando em todos os cantos a coragem que me falta de te reencontrar depois de alguns anos.

Nosso último encontro foi bem traumático pra mim. Acho que casamentos são traumáticos pra nós dois.

Mas o casamento deles ultrapassa os limites....

Quantas vezes eu já não corri pro colo dela pra desabafar? Quantas vezes você já não foi jogar bola com ele?

Quantas vezes saímos nós quatro. Quantos ataques de riso?! Lembra quando paramos pra pedir informação na estrada e não conseguimos parar de rir? Ninguém se controlou e não conseguimos falar nada, simplesmente fechamos o vidro e fomos embora. Acho que fomos rindo daquele jeito até Minas. Foi o Victinho que começou, com aquela cara de quem prende o riso, desarmando qualquer seriedade.
E a viagem de Itaipava, que nós quatro fomos? Pousada linda, viagem perfeita e muita zueira por estarmos em quartos vizinhos. Ninguém podia fazer muito barulho, lembra?
 Tiveram as praias, as viagens pra Teresópolis, pros campeonatos de futebol, teve aquela comemoração de dez anos no sítio...
Jantares com eles, nós quatro, sempre juntos. Sempre grudados.

E agora somos quantos? Seis? Eles dois, você com ela e eu com ele.

Onde está o sentido de tudo isso? Pra que construir tanta coisa e hoje nos olharmos tão vazios?

Não estou conseguindo continuar a me arrumar. Já era pra estar quase pronta... Você sabe como eu sou, não é? Não gosto de me atrasar. Mas eu queria, queria me atrasar tanto a ponto de não ir.

Você sabe, também, como eu encaro as coisas, né? Então, dá licença, tenho que fazer o meu cabelo.

Até daqui a poucco, Dé.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Pra você, menino do metrô.

Felipe,

Se você decorou mesmo o endereço desse blog (que ninguém sabe), naquele dia que nos encontramos e as Originais e suas mãos invadiram nossa noite, e pior, se você perde o seu tempo pra ler as baboseiras que eu escrevo, então:

1. Tô fudida.

2. Não acredita muito nas coisas não.

3. Deixa eu te explicar:

Primeiro, eu já estava com o texto pronto na minha cabeça pra te dizer: Esse blog não é só meu, minhas amigas também publicam, etc. Depois, eu resolvi que não ia mentir não.

Sou eu mesma quem escreve todas essas bobagens, pra todas essas pessoas sem importância.

São pessoas que cruzam a minha vida e deixam uma mensagem qualquer. Inclusive,  que você pode conhecer pessoas interessantes em um sábado de manhã no metrô.

Deixa eu te explicar direitinho... Eu vivo, literalmente, um dia de cada vez.
Foi por isso que eu casei no primeiro dia que fiquei com meu ex-marido. Ele dormiu na minha casa naquela noite e nunca mais dormimos separados, até separar de vez.  Foi por isso, também, que eu comprei um apartamento com ele com quatro meses de relacionamento, e que compramos o meu Gol vermelho, carro dos meus sonhos na época.
Foi por isso que um dia, quando eu tava na faculdade, depois de uma chopada, eu e minha melhor amiga resolvemos fazer um mochilão... naquele dia! Nos mandamos pra rodoviária e fomos parar em Vassouras, pedindo carona debaixo de chuva.
Foi por isso que resolvi morar fora numa sexta-feira e segunda eu estava dentro de um avião, desembarcando nas montanhas do Colorado.
Foi por isso que eu fiz cinco faculdades, achei o homem da minha vida várias vezes, e às vezes, por uma noite só.
Foi por isso que aceitei namorar na primeira noite e terminei algumas horas depois.
Foi por isso que ganhei uma carta de amor por correio, um capítulo de um livro e uma aliança aos 18 anos.

É porque eu sou assim, menino do metrô, vivo muito intensamente.

Eu ia lhe pedir desculpas por te assustar.
Mas sabe o que eu gosto, quer dizer, o que eu gostei? Você parece ser muito parecido comigo.
Então eu não tenho que pedir desculpas por ter te assustado, mas eu queria que você não desse importância para todos esses textos em que eu falo dos meus sentimentos, porque eles estão só nos papéis.

Foi por isso que nossa noite não mereceu um texto. Por que eu gostei de você de verdade.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Não vou chorar

Acabei de lembrar do dia que eu peguei a minha carteira de motorista.

Nós já estávamos terminados. Ninguém nunca tinha dirigido seu Golf novo.
Você foi da Barra até a minha casa no Leblon só pra eu dirigir.

Eu passei a marcha sem o pé na embreagem e achei que você me mataria (o que faria em outros tempos).

Você riu.

E depois você me deixou em casa e colocamos no som a música que o Chiclete fez pra gente.
E eu chorei descontroladamente, dentro do carro, enquanto nos abraçávamos.

Não lembro o que você me dizia, porque devia ser lindo. E na época, eu me anulei em relação a tudo o que era lindo e vinha de você.

Mais uma lembrança que juntei com as fotografias e coloquei numa caixa vazia... O que restou do amor.