Eu te achei e o seu nome é Augusto.
Eu te achei e você tem cachos no cabelo e pele branquinha.
Eu te achei e você usa fones de ouvido jogados no ombro.
Eu te achei e você usa uma blusa branca de algum projeto social.
Eu te achei e você me olhou lá de fora e não parou mais de me olhar.
Eu te achei e você me deu vontade de chorar.
Augusto, eu queria te dizer que você é o homem da minha vida.
Eu percebi isso quando você me embalou, quando você me embolou no seu abraço.
- Você me dá vontade de chorar, porque você é o homem da minha vida.
- Você é linda.
E você me dava mesmo vontade de chorar, vontade de chorar quando eu me virava de costas e você me abraçava grande, com seus dois braços me enforcando e me deixando presa em você. Vontade de chorar porque você me beijava com as mãos no meu rosto. Vontade de chorar porque você me abraçou tão forte que não deixou nenhum espaço entre a gente.
- Sou casado.
- Some daqui.
Você não sumiu, você me abraçou mais.
- Sai da minha vida.
Você não saiu. Não posso contar quantas vezes te mandei ir embora, quantas vezes me virei de costas e você me abraçou forte.
Como pode o homem da minha vida ser casado? Logo o homem da minha vida?
Você pegou meu telefone e eu não te olhei quando fui embora.
Não te olhei porque não queria ter aquela última imagem.
Porque eu não quero que seja a última, quero que você me busque na minha vida e me leve pra sua.
Quando nos beijamos, eu te disse da minha vontade de chorar porque eu tinha sentido que era você quem eu procurei a vida toda. E quando fui embora, minha vontade de chorar era porque eu ia passar mais de um minuto sem você, e isso me dava muita, muita vontade de chorar.
Agora eu estou com vontade de chorar porque estou lembrando da sua pele branquinha e dos seus cachos castanhos. Estou lembrando também do que eu senti quando você me abraçou, e de quando eu te abracei por trás e beijei toda as suas costas, de um ombro a outro. Lembro de deitar a cabeça e pensar aliviada na sorte que eu tive de ter te encontrado, esquecendo do que você havia me dito, lembrando logo em seguida e implorando:
- Não me liga? Por favor, não me liga. Desaparece da minha vida? Não me procura.
Era o mesmo que pedir desesperadamente para você entrar na minha vida , pra nunca mais me deixar.
Eu te achei.
E você me dá vontade de chorar.
terça-feira, 16 de setembro de 2014
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
Meu amigo, meu amor
Oi, tudo bem?
Eu vim aqui falar com você, porque eu queria que, sei lá... Vai ver você sabe explicar o que aconteceu ontem. É que eu não entendi muito bem, fiquei meio confusa e até agora to sentada naquele taxi olhando pra frente sem conseguir esboçar qualquer reação.
Sei que não foi a primeira, e nem a segunda vez que você faz isso, mas foi a primeira vez que eu fechei os olhos e senti.
Sabe, eu achava mesmo que você era só mais um desses meninos bom partido, que ficaria meu amigo e e que eu iria apresentar cheia de orgulho para as minhas amigas.
Eu apresentei, cumpri com o roteiro que eu havia organizado.
Até aquele dia que, de tanto você insistir para que eu ficasse, porque eu havia bebido muito e era melhor que dormisse na sua casa, eu acabei acordando do seu lado. Eu deveria ter percebido desde o início, que todos haviam bebido muito e que eu era a única que você queria que dormisse lá. Nunca tocamos no assunto. Nunca contamos pra ninguém.
Continuamos fingindo que absolutamente nada daquilo havia acontecido. Eu apaguei isso da minha vida, até porque eu não lembro de absolutamente nada daquela noite. Ou melhor. Eu lembro da gente ter se beijado no escuro, sem motivo nenhum.
Você é o meu amor, como eu sempre falo. Você é o meu amigo mais lindo, e eu não me importei mesmo de te apresentar minhas amigas, não sei porque, eu não sentia nada mesmo, ou não sabia que sentia, sei lá. Não consigo explicar.
Mesmo depois daquela festa que todos disseram que a gente estava tão grudado, que parecia que estávamos juntos. Foi nessa festa que tiraram uma foto de todos nós, e enquanto todos olhavam pra câmera, você olhava pra mim. Nessa festa, que pela primeira vez você pegou meu rosto e me deu um beijinho. E pela primeira vez, eu fingi que achei normal.
-Ele tem esse jeito com as outras amigas de vocês? - Ela, que me conhece mil vezes melhor do que eu, me perguntou, depois de um dia em que nos viu muito juntos.
- Não.... E eu nunca tinha me dado conta.
Na segunda vez, eu estava muito triste e estavam todos na sua casa. Você pegou meu rosto e me deu um beijinho. E pela primeira vez, eu não achei nada demais, eu achei um beijo de amigo, de amor. Achei que você queria me consolar de um jeito mais próximo, um beijinho pra diminuir a dor.
E no meio de tudo isso, algumas mensagens lindas e inesperadas de madrugada, um "eu te amo" jogado num canto, um "estou pensando em você" em outro e um "não entendi porque não viajou comigo"...
Eu não achei nada demais você ter insistido pra eu dormir no seu quarto quando todos já estavam com seus lugares para dormir na sua sala. Você falou que eu ia dormir com você, mas eu já tinha o lugar pronto junto com nossos amigos. Você falou algumas vezes e na hora de ir dormir, falou de novo. Eu fui depois de você dormir e saí antes de você acordar. Acho que não queria acordar do seu lado, acho que tenho um bloqueio, acho mesmo que tenho medo de acreditar nessas mensagens. Ainda deu tempo de fingir que estava dormindo na sala e te ver saindo todo arrumado pra sua reunião de manhã. Você me cobrou, disse que não entendeu porque eu não dormi com você. Eu disse que dormi e você não viu.
Ontem foi a terceira vez. Mas foi depois de algumas vezes que saímos e você não conseguia desgrudar de mim, e eu não conseguia desgrudar de você. Foi depois do dia da Urca que você sentou do meu lado na muretinha e ficou com a mão na minha perna e eu encostei a cabeça no seu ombro. Acho que foi nesse dia que eu comecei a sorrir quando lembrava do carinho que você tinha comigo, e em como era gostoso estar nos lugares com você, porque você me dava a atenção que eu amo ter.
Foi ontem, que estávamos juntos e estávamos bem grudados. Fomos embora juntos, e, no taxi, você estava de novo com a mão na minha perna, enquanto eu encostava no seu ombro.
E você me pede pra deitar no seu colo, pra ser ainda mais carinhoso comigo. Eu também não conseguia parar de ser carinhosa com você. Você, meu amigo, meu amor.
Foi por isso que você fez aquilo? Foi por isso que você me afastou do seu abraço pra colocar a mão no meu queixo e me dar um beijinho? Pela primeira vez eu estou até agora parada, porque não tive nenhuma reação a não ser a do coração bater mais forte e um sorriso idiota no rosto.
Meu amigo, meu amor, você nunca tinha sido carinhoso dessa forma comigo, nunca tinha me pedido pra deitar no seu colo, e eu também nunca havia retribuído dessa forma.
E eu continuo daquela forma, quieta, sentindo suas mãos em mim, e sem entender, pela primeira vez, porque mexeu tanto comigo.
Eu vim aqui falar com você, porque eu queria que, sei lá... Vai ver você sabe explicar o que aconteceu ontem. É que eu não entendi muito bem, fiquei meio confusa e até agora to sentada naquele taxi olhando pra frente sem conseguir esboçar qualquer reação.
Sei que não foi a primeira, e nem a segunda vez que você faz isso, mas foi a primeira vez que eu fechei os olhos e senti.
Sabe, eu achava mesmo que você era só mais um desses meninos bom partido, que ficaria meu amigo e e que eu iria apresentar cheia de orgulho para as minhas amigas.
Eu apresentei, cumpri com o roteiro que eu havia organizado.
Até aquele dia que, de tanto você insistir para que eu ficasse, porque eu havia bebido muito e era melhor que dormisse na sua casa, eu acabei acordando do seu lado. Eu deveria ter percebido desde o início, que todos haviam bebido muito e que eu era a única que você queria que dormisse lá. Nunca tocamos no assunto. Nunca contamos pra ninguém.
Continuamos fingindo que absolutamente nada daquilo havia acontecido. Eu apaguei isso da minha vida, até porque eu não lembro de absolutamente nada daquela noite. Ou melhor. Eu lembro da gente ter se beijado no escuro, sem motivo nenhum.
Você é o meu amor, como eu sempre falo. Você é o meu amigo mais lindo, e eu não me importei mesmo de te apresentar minhas amigas, não sei porque, eu não sentia nada mesmo, ou não sabia que sentia, sei lá. Não consigo explicar.
Mesmo depois daquela festa que todos disseram que a gente estava tão grudado, que parecia que estávamos juntos. Foi nessa festa que tiraram uma foto de todos nós, e enquanto todos olhavam pra câmera, você olhava pra mim. Nessa festa, que pela primeira vez você pegou meu rosto e me deu um beijinho. E pela primeira vez, eu fingi que achei normal.
-Ele tem esse jeito com as outras amigas de vocês? - Ela, que me conhece mil vezes melhor do que eu, me perguntou, depois de um dia em que nos viu muito juntos.
- Não.... E eu nunca tinha me dado conta.
Na segunda vez, eu estava muito triste e estavam todos na sua casa. Você pegou meu rosto e me deu um beijinho. E pela primeira vez, eu não achei nada demais, eu achei um beijo de amigo, de amor. Achei que você queria me consolar de um jeito mais próximo, um beijinho pra diminuir a dor.
E no meio de tudo isso, algumas mensagens lindas e inesperadas de madrugada, um "eu te amo" jogado num canto, um "estou pensando em você" em outro e um "não entendi porque não viajou comigo"...
Eu não achei nada demais você ter insistido pra eu dormir no seu quarto quando todos já estavam com seus lugares para dormir na sua sala. Você falou que eu ia dormir com você, mas eu já tinha o lugar pronto junto com nossos amigos. Você falou algumas vezes e na hora de ir dormir, falou de novo. Eu fui depois de você dormir e saí antes de você acordar. Acho que não queria acordar do seu lado, acho que tenho um bloqueio, acho mesmo que tenho medo de acreditar nessas mensagens. Ainda deu tempo de fingir que estava dormindo na sala e te ver saindo todo arrumado pra sua reunião de manhã. Você me cobrou, disse que não entendeu porque eu não dormi com você. Eu disse que dormi e você não viu.
Ontem foi a terceira vez. Mas foi depois de algumas vezes que saímos e você não conseguia desgrudar de mim, e eu não conseguia desgrudar de você. Foi depois do dia da Urca que você sentou do meu lado na muretinha e ficou com a mão na minha perna e eu encostei a cabeça no seu ombro. Acho que foi nesse dia que eu comecei a sorrir quando lembrava do carinho que você tinha comigo, e em como era gostoso estar nos lugares com você, porque você me dava a atenção que eu amo ter.
Foi ontem, que estávamos juntos e estávamos bem grudados. Fomos embora juntos, e, no taxi, você estava de novo com a mão na minha perna, enquanto eu encostava no seu ombro.
E você me pede pra deitar no seu colo, pra ser ainda mais carinhoso comigo. Eu também não conseguia parar de ser carinhosa com você. Você, meu amigo, meu amor.
Foi por isso que você fez aquilo? Foi por isso que você me afastou do seu abraço pra colocar a mão no meu queixo e me dar um beijinho? Pela primeira vez eu estou até agora parada, porque não tive nenhuma reação a não ser a do coração bater mais forte e um sorriso idiota no rosto.
Meu amigo, meu amor, você nunca tinha sido carinhoso dessa forma comigo, nunca tinha me pedido pra deitar no seu colo, e eu também nunca havia retribuído dessa forma.
E eu continuo daquela forma, quieta, sentindo suas mãos em mim, e sem entender, pela primeira vez, porque mexeu tanto comigo.
segunda-feira, 4 de agosto de 2014
Quase um ano e meio
Quando eu paro pra pensar que já passou um ano e meio, eu fico meio bamba, meio confusa, meio "isso está mesmo acontecendo?". Foi possível? Eu consegui?
Só de falar meus olhos enchem de lágrimas, mas elas não derramam, elas secam como se pusessem um secador gigante na minha cara assim que a lágrima pensa em sair.
É incrível como eu consigo chorar quando vejo uma cena de novela, mas sequei quando se trata de tudo o que eu passei na vida real.
Filha da puta. Só o que eu tenho pra dizer dele. O desgraçado parece que amaldiçoou minha vida amorosa pra sempre. Eu sei que eu fui uma filha da puta aos olhos dos meus amigos, de quem me conhece mais ou menos ou de quem eu resolvi falar as cagadas que eu fazia. Mas eu? Eu fui uma santa. Ninguém tava lá quando eu chorava por ter visto o resultado de um exame que praticamente dizia que eu não podia engravidar, enquanto ele zapeava os canais da televisão e falava no telefone combinando o futebol de domingo. Filho da puta. Não consigo pensar em mais nada.
Eu não consigo lembrar dos momentos que eu me senti feliz de verdade, sem fingir. Fingimento era a minha principal qualidade. As pessoas me invejavam, diziam que eu sim sabia viver a vida. Tudo baseado nas coisas que eu falava. Tudo mentira, eu não podia falar nada do que eu sentia de verdade.
As vezes, bêbada, eu falava e só causava discórdia. Ninguém gostava de ouvir que eu não me sentia feliz ali, que eles não eram meus amigos, que eu tinha os meus amigos, assim como eles eram amigos entre si, mas meus amigos moravam no Rio. "Isso aqui, isso tudo aqui!!! Eu tenho isso, assim como vocês estão tendo, igual, mas com os MEUS amigos, vocês não são meus amigos. E eu não queria estar aqui!!!". No dia seguinte, estava eu lá, pedindo desculpas, todo mundo puto comigo e eu chateada por ter falado a verdade. Verdade não fazia parte da minha vida. Quando eu falava a verdade, era uma mentira.
Viver de mentira é uma merda. Quando eu falava a verdade, era a maluca.
Quando eu falava que nunca quis caralho de apartamento, carro e etc, as pessoas riam... "Essa menina é muito maluquinha..."
Isso porque eles não sabem que no Rio, ter carro é um atraso de vida, e apartamento comprado é só lá na putaqueopariu, um quarto e sala isolado no mundo. É a única possibilidade de se ter apartamento, e tem que ter carro, ou seja: atraso de vida ao quadrado.
Bom mesmo é ir à praia a pé, tomar um açaí na esquina e encontrar os amigos pra uma cerveja de garrafa no final da tarde.
Eles não entendiam nada. Eu era uma pura mentira, um protótipo de menina, uma coitada.
Havia quem me entendia até: " o que você tá fazendo lá?" Lá. Sempre alguém daqui perguntava e eu, mentirosa, dizia que era feliz, tinha comprado apartamento.
Apenas uma pobre coitada, que tinha se acostumado com a ideia de que não necessariamente se é feliz pro resto da vida, paciência ué. Na próxima vida, de repente, sei lá... Mas quem disse que se pode ser feliz? Comercial de Margarina? Foda-se, tô com preguiça, me deixa aqui quieta.
Ser feliz é luxo, eu nunca quis luxo.
Quase um ano e meio. Eu achei que melhorava aos poucos, que com o tempo, ia passando.
Mas eu não sabia que a faca tinha atravessado o corpo, tão fundo, tão fundo que não fecha!
E cada dia que passa, e que não fecha, minha raiva aumenta e aumenta e aumenta e eu tenho uma vontade de sei lá, não sei explicar. Mas eu sei dizer o que é arrependimento. Arrependimento de ter passado tanto tempo deixando ele cravar a faca cada vez mais fundo, e eu de peito aberto, deixando ele fazer uma ferida que não ia sarar nunca.
Sinceramente, é triste falar isso, mas eu não acredito que um dia eu vou conseguir amar alguém, calma e serena, com a certeza que eu achei a pessoa certa.
Esse filho da puta fez crescer um sentimento de "nunca mais vou amar ninguém" tão grande dentro de mim, que eu não consigo pensar na possibilidade de andar de mãos dadas sinceras, de querer dividir uma boa notícia, de olhar pra alguém com os olhos sorrindo.
Terapia não adiantou... Foram seis meses indo pra terapia com a frase feita pra iniciar a conversa, e nada. Um dia só, eu resolvi ser sincera e disse: "eu não consigo falar o que eu venho tentando falar há seis meses, eu preciso me curar dele, mas não consigo pensar na possibilidade de termos uma conversa sobre isso." Ela disse que aquele dia foi o divisor de águas nas nossas sessões, que pela primeira vez, eu tinha sido sincera e que a partir daquele dia iríamos trabalhar nisso.
Nunca mais voltei.
Eu espero, do fundo da minha alma, conseguir falar sobre isso. Mas pra mim, parece o que há de mais impossível, e sincero, que possa acontecer na minha vida.
Só de falar meus olhos enchem de lágrimas, mas elas não derramam, elas secam como se pusessem um secador gigante na minha cara assim que a lágrima pensa em sair.
É incrível como eu consigo chorar quando vejo uma cena de novela, mas sequei quando se trata de tudo o que eu passei na vida real.
Filha da puta. Só o que eu tenho pra dizer dele. O desgraçado parece que amaldiçoou minha vida amorosa pra sempre. Eu sei que eu fui uma filha da puta aos olhos dos meus amigos, de quem me conhece mais ou menos ou de quem eu resolvi falar as cagadas que eu fazia. Mas eu? Eu fui uma santa. Ninguém tava lá quando eu chorava por ter visto o resultado de um exame que praticamente dizia que eu não podia engravidar, enquanto ele zapeava os canais da televisão e falava no telefone combinando o futebol de domingo. Filho da puta. Não consigo pensar em mais nada.
Eu não consigo lembrar dos momentos que eu me senti feliz de verdade, sem fingir. Fingimento era a minha principal qualidade. As pessoas me invejavam, diziam que eu sim sabia viver a vida. Tudo baseado nas coisas que eu falava. Tudo mentira, eu não podia falar nada do que eu sentia de verdade.
As vezes, bêbada, eu falava e só causava discórdia. Ninguém gostava de ouvir que eu não me sentia feliz ali, que eles não eram meus amigos, que eu tinha os meus amigos, assim como eles eram amigos entre si, mas meus amigos moravam no Rio. "Isso aqui, isso tudo aqui!!! Eu tenho isso, assim como vocês estão tendo, igual, mas com os MEUS amigos, vocês não são meus amigos. E eu não queria estar aqui!!!". No dia seguinte, estava eu lá, pedindo desculpas, todo mundo puto comigo e eu chateada por ter falado a verdade. Verdade não fazia parte da minha vida. Quando eu falava a verdade, era uma mentira.
Viver de mentira é uma merda. Quando eu falava a verdade, era a maluca.
Quando eu falava que nunca quis caralho de apartamento, carro e etc, as pessoas riam... "Essa menina é muito maluquinha..."
Isso porque eles não sabem que no Rio, ter carro é um atraso de vida, e apartamento comprado é só lá na putaqueopariu, um quarto e sala isolado no mundo. É a única possibilidade de se ter apartamento, e tem que ter carro, ou seja: atraso de vida ao quadrado.
Bom mesmo é ir à praia a pé, tomar um açaí na esquina e encontrar os amigos pra uma cerveja de garrafa no final da tarde.
Eles não entendiam nada. Eu era uma pura mentira, um protótipo de menina, uma coitada.
Havia quem me entendia até: " o que você tá fazendo lá?" Lá. Sempre alguém daqui perguntava e eu, mentirosa, dizia que era feliz, tinha comprado apartamento.
Apenas uma pobre coitada, que tinha se acostumado com a ideia de que não necessariamente se é feliz pro resto da vida, paciência ué. Na próxima vida, de repente, sei lá... Mas quem disse que se pode ser feliz? Comercial de Margarina? Foda-se, tô com preguiça, me deixa aqui quieta.
Ser feliz é luxo, eu nunca quis luxo.
Quase um ano e meio. Eu achei que melhorava aos poucos, que com o tempo, ia passando.
Mas eu não sabia que a faca tinha atravessado o corpo, tão fundo, tão fundo que não fecha!
E cada dia que passa, e que não fecha, minha raiva aumenta e aumenta e aumenta e eu tenho uma vontade de sei lá, não sei explicar. Mas eu sei dizer o que é arrependimento. Arrependimento de ter passado tanto tempo deixando ele cravar a faca cada vez mais fundo, e eu de peito aberto, deixando ele fazer uma ferida que não ia sarar nunca.
Sinceramente, é triste falar isso, mas eu não acredito que um dia eu vou conseguir amar alguém, calma e serena, com a certeza que eu achei a pessoa certa.
Esse filho da puta fez crescer um sentimento de "nunca mais vou amar ninguém" tão grande dentro de mim, que eu não consigo pensar na possibilidade de andar de mãos dadas sinceras, de querer dividir uma boa notícia, de olhar pra alguém com os olhos sorrindo.
Terapia não adiantou... Foram seis meses indo pra terapia com a frase feita pra iniciar a conversa, e nada. Um dia só, eu resolvi ser sincera e disse: "eu não consigo falar o que eu venho tentando falar há seis meses, eu preciso me curar dele, mas não consigo pensar na possibilidade de termos uma conversa sobre isso." Ela disse que aquele dia foi o divisor de águas nas nossas sessões, que pela primeira vez, eu tinha sido sincera e que a partir daquele dia iríamos trabalhar nisso.
Nunca mais voltei.
Eu espero, do fundo da minha alma, conseguir falar sobre isso. Mas pra mim, parece o que há de mais impossível, e sincero, que possa acontecer na minha vida.
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
Conseguindo enxergar....
Eu consegui ver...
Eu percebi bem na hora em que estávamos deitados e você veio me beijar bem devagarinho com as duas mãos no meu rosto, com os dedos quase entre as nossas bocas... E quando uma das mãos deslizava pelo meu cabelo e logo voltava ao meu rosto, fazendo carinho, de olhos bem fechados... Foi ali que eu percebi, porque o meu coração estava batendo diferente e eu sentia aquele sentimento de paz. E eu percebi porque eu senti. E porque ficamos muito tempo só nos beijando, nos abraçando, nos curtindo e com suas mãos deslizando por cada cantinho de mim, como você já fez algumas vezes, em que estávamos tão juntinhos que mais parecia um só.
Quando você disse que gostava de mim, eu disse que não via. E você disse que eu não precisava ver, que eu tinha que acreditar no que você estava me dizendo. Eu acreditei, mas ver me fez feliz.
Obrigada por esse domingo, por dizer que só lembrava dos dias em que estávamos juntos em Búzios, que parecia que eu estava com você desde o primeiro dia. E obrigada por ter ido ao meu aniversario, eu achei que nossa comemoração tinha sido no domingo, mas você fez questão de ir no próprio dia, onde você não conhecia ninguém e estavam todos os meus amigos. E você foi incrível. Você estava ali comigo, e eu estava muito feliz. Se você não tivesse ido, meu dia não teria sido perfeito.
E agora você me manda uma uma mensagem dizendo que me ligou. Mas eu não vi, meu bem.
Será que a gente esta se entendendo de novo? Será que as coisas estão voltando aos pouquinhos, bem aos pouquinhos? Ou melhor, será que está tudo dando certo? Não quero que volte nada, eu quero que as coisas caminhem devagarinho até a hora que não tem mais pra onde ir e a gente não viva mais um sem o outro.
Eu percebi bem na hora em que estávamos deitados e você veio me beijar bem devagarinho com as duas mãos no meu rosto, com os dedos quase entre as nossas bocas... E quando uma das mãos deslizava pelo meu cabelo e logo voltava ao meu rosto, fazendo carinho, de olhos bem fechados... Foi ali que eu percebi, porque o meu coração estava batendo diferente e eu sentia aquele sentimento de paz. E eu percebi porque eu senti. E porque ficamos muito tempo só nos beijando, nos abraçando, nos curtindo e com suas mãos deslizando por cada cantinho de mim, como você já fez algumas vezes, em que estávamos tão juntinhos que mais parecia um só.
Quando você disse que gostava de mim, eu disse que não via. E você disse que eu não precisava ver, que eu tinha que acreditar no que você estava me dizendo. Eu acreditei, mas ver me fez feliz.
Obrigada por esse domingo, por dizer que só lembrava dos dias em que estávamos juntos em Búzios, que parecia que eu estava com você desde o primeiro dia. E obrigada por ter ido ao meu aniversario, eu achei que nossa comemoração tinha sido no domingo, mas você fez questão de ir no próprio dia, onde você não conhecia ninguém e estavam todos os meus amigos. E você foi incrível. Você estava ali comigo, e eu estava muito feliz. Se você não tivesse ido, meu dia não teria sido perfeito.
E agora você me manda uma uma mensagem dizendo que me ligou. Mas eu não vi, meu bem.
Será que a gente esta se entendendo de novo? Será que as coisas estão voltando aos pouquinhos, bem aos pouquinhos? Ou melhor, será que está tudo dando certo? Não quero que volte nada, eu quero que as coisas caminhem devagarinho até a hora que não tem mais pra onde ir e a gente não viva mais um sem o outro.
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
Eu, ele e nossas confusões
E então eu termino um relacionamento de merda, me jogo no espaço crente que vou cair no chão e fico solta, não há chão que consiga fincar meus pés.
As vezes eu juro que queria que o fofo do Diego visse os textos que eu escrevi pra ele ver que para cada ação há uma reação e ele me tratar como se eu fosse um lixo, me faria delirar com o meu mundo. Mas não vou deixar esse blog a vista não, porque eu adoro ser eu mesma e eu ainda tenho a mania de me fingir de santa pra ele.
Mas não era do traste que eu queria falar....
Eu quero falar de quem tira o meu sono desde aquele dia 27/4, em que ele cruzou minha vida de novo.
Maldito ou bendito dia, ainda não decidi. O que eu sei é que são quatro meses já nessa puta dessa palhaçada....
Começou no maior amor, tinha a certeza de que era dele que eu precisava para acalmar meus dias de cão em que eu passava o dia todo na rua, fumando que nem uma condenada e enchendo a cara de cerveja com quem quer que fosse, e se não fosse, sozinha mesmo. Pois bem, um príííncipe encantado, inteligente, arquiteto, gerenciador de projetos, cavalheiro abre-a-porta-pra-você-e-não-te-deixa-pagar-nada, gostava de samba, e o melhor de tudo: uma história pra chamar de minha! Eu escrevi uma vez pra ele: "você é meu futuro e meu passado me encarando de frente". Havia oito anos que não nos víamos, desde que eu tinha abandonado a segunda faculdade (e eu achando que tinha parado por aí...), e me mandado pra fora de mala e cuia. Sem me prolongar muito, era o dia todo de papo, a semana toda se vendo e uma viagem pra Itaipava. Até eu estragar tudo, óbvio, porque eu sou incapaz de lidar com tanta doçura e depois do que eu passei, não acreditava mais em doçura caralho nenhum.
Estraguei todo o andamento da coisa. O que é engraçado, é que eu fui tão eu com ele, quantas vezes eu perguntava se eu tava diferente só pra ouvir ele falando:"Não, ta igualzinha.". O que eu percebi foi que eu tinha voltado a ser quem eu era com ele, absolutamente eu, sem tirar nem por e estava dando tão certo que eu tive um medo danado e criei alguém idiota pra estragar tudo. Foi aí que eu pedi pra encontrar com ele completamente bêbada e falei um monte de coisas, dentre elas pra não me procurar nunca mais. Não sei porque eu fiz isso, foi só uma mania de estragar tudo o que poderia acontecer. Acho que eu tava um pouco em pânico, sabe? E precisava acabar logo com aquilo que estava me fazendo feliz. Sei lá, achava meio impossível eu conseguir estar bem depois de tudo o que eu passei...
E então, nos afastamos, até tentamos nos ver de novo, um encontro com os amigos dele de Minas, um motel de madrugada, e algumas mensagens frias e secas, que faziam meu coração tremer...
Até o dia que eu cansei.... Ele não tinha mais coerência com as mensagens, as atitudes não batiam muito.... Um dia estava com saudade da gente 'de bem', outros dias ligava pra conversar nada, e sumia, sumia, sumia... E eu enlouquecendo aos poucos.... Tentava controlar, ficava bem, fingia que esquecia da nossa viagem, da nossa cumplicidade, do nosso carinho, das cosquinhas, conversas, jantares, bares, trilha, sambas, conselhos, da nossa preguiça na cama, de como ele passava as mãos pelo meu corpo inteiro e de como me beijava a noite e dormia tão abraçado que eu sentia a respiração e o coração dele em mim. E eu liguei e pedi que nos afastássemos de vez. Ele perguntou se podíamos ser amigos e eu disse que "claro!", querendo mandar ele pra putaqueopariu.
Mas ta ótimo.... Passamos bastante tempo sem nos falar, quer dizer, bastante pro que era antes, foram alguns dias, tipo cinco, até eu mandar uma mensagem de aniversário que ele agradeceu lindamente, e pronto. Não nos falamos mais, até aquele fatídico dia. Aliás, eu tava era esperando o dia em que ele ia morrer de sentir a minha falta e eu estaria linda e bela pouco me fudendo pra ele. E eu já tinha treinado, a personagem nem-lembro-mais-que-você-existe ia atacar. Treinei até se ele insistisse. Eu, uma pedra. Primeiro uma mensagem em plena segunda feira, havia mais de uma semana sem contato. "Oi, tudo bem?"- Enviada de Armação de Búzios. Tudo bem é o caralho, o filha da puta tá em Búzios!! Lembrei das férias que ele teria em agosto, as mesmas férias que tínhamos programado de ir pra Ny, Bahia, e por último, Chile. Tudo devidamente não concretizado.
Não respondi, óbvio, e fui dormir querendo socar a minha cara.
E chega a Terça... "Paty?"- Enviada de Armação de Búzios. Cada "Armação de Búzios", era um xingamento diferente. Porra, eu devia estar com ele! Responder tudo bem, estava nos planos... Foi a segunda fase, a da insistência. "Oii". "Te mandei uma mensagem". "Eu só vi depois". "Não respondeu, achei estranho...". Por que será, né? Porque eu tava fudida, desesperada com a mensagem, a ponto de desabar e colocar tudo o que eu já tinha superado a perder e não queria voltar a estaca zero nem a pau! E começamos uma conversa, ele estava em búzios sozinho, leu um livro inteiro, não ia na academia por uma semana e etc. Super amigos. E eu dormi triste, mas satisfeita com o meu roteiro, que estava sendo cumprido brilhantemente.
Quarta.... "To me lembrando muito de Itaipava, não paro de pensar". Acabou comigo e eu tentei um improviso ali de última hora, lembrei de uma frase que eu jurei que falaria pra ele quando ele sentisse minha falta: "As vezes acontece...". Ufa, fim de papo, consegui, chega de conversa. Um pouquinho a mais de conversa mole e chega. Respirei dez vezes fundo quando a conversa acabou naquela tarde. Ele em Búzios e eu no Rio. Ta ótimo, ele já sentiu minha falta, era isso que eu queria, um-beijo-e-tchau. Exatos 21 minutos, que eu achei que fosse durar outros dez dias em média, que era o tempo que não nos falávamos desde aquela segunda, e chega a mensagem fora de roteiro: "Vem pra cá, vem?". Meu coração foi na boca, meus pensamentos foram na lua e minha razão foi por água a baixo. Primeiro disse que as coisas não eram tão fáceis, e ele disse que havia sido só uma idéia, uma boa idéia, e eumperguntei se ele queria mesmo que eu fosse. "Fico me perguntando porque ainda não esta aqui..."
Fui. Coração fantasiado de pedra, com o pensamento que seria super forte, voltaria sem expectativa alguma, as coisas ficariam iguais e 'vamos beber, que amar ta difícil'. Dois dias em que ficamos de preguiça, eu sentia a respiração e o coração dele quando dormíamos, a mão dele que deslizava no meu corpo todo, as mesmas cosquinhas, um pouco de leitura, bastante gentileza, carinho, delicadeza, e de novo o "não esta esquecendo nada?", "o quê?", " um beijo". E toda aquela palhaçada de somos-perfeitos-juntos. E éramos mesmo.
Voltamos, nos falamos um pouco, duas semanas se passaram até que meu mundo caiu em uma Terça feira, dois dias depois de ele ter me mandando uma mensagem me procurando, um dia depois de mandar mensagem dizendo que estava com saudades, e dia em que ele me ligou pra falar nada e eu perguntei. Perguntei com quem ele estava na sexta, quando uma amiga o viu e se ele estava ficando com ela aquele dia. E ele disse que sim. E desligamos. E eu chorei. Chorei bastante, dos olhos doerem. E eu percebi que eu gosto dele, com o coração, sem personagem nenhum, eu de verdade. E esta sendo chato pra cacete.
Resolvi falar, na mesma hora em que desliguei meu telefone, enchi o dele de mensagem: que mais cedo ou mais tarde eu ia acabar chorando com toda aquela confusão que ele havia causado com os meus sentimentos, que aquela era a ultima vez que eu queria pensar nele e ficar triste e que se ele sentisse saudade, que não me contasse, eu não queria saber.
E então ele não era mais aquela pessoa que não ligava muito, que eu achava que não estava muito aí. " Vamos conversar? A ultima coisa que eu quero ver é você triste. Você me faz muito bem! Não quero ter que mentir pra você. Vamos nos encontrar hoje? Você pode hoje?" . "Posso". Mas só posso, Dani, porque é a última, última vez que vamos nos ver, pra colocar um ponto final de verdade, eu não quero mais, consegue entender??? Não quero!!!!!!!!!!!!
E eu disse que desde que brigamos, eu não era mais aquela que ele reencontrou, eu não era quem ele ligava de madrugada, não era quem ele chamava pra ir pra búzios porque estava se sentindo sozinho, não era quem ele sentia falta só quando não podíamos nos ver.
E ele... Ele me disse que eu não o procurava, não mandava mensagem, não ligava, que todas as vezes que tínhamos nos visto foi porque ele me ligou. Perguntou se eu não percebia isso. Disse que não fazia idéia que eu achava que era aquela imagem que eu tinha pra ele, que ele nunca havia pensado em mim como segunda opção, que ele não me ligou para ir a Búzios porque ele tava sozinho, mas porque ele queria, ele queria desde o começo, mas estava respeitando o que eu havia falado, pra ele se afastar, e que havia pensado muito antes de me mandar mensagem, mas que não aguentou. Disse que não era pra eu ficar preocupada com sexta, que ele não tinha programado nada, que ela tinha chamado e ele tinha ido, que não era uma coisa normal, que eu não tinha motivo pra ficar chateada, que não tinha nada a ver.
" Eu gosto de você."
"Eu não consigo ver, não consigo enxergar isso."
"Você não tem que ver, você tem que acreditar no que eu estou te falando".
Ele me deixou em casa, me abraçou, perguntou se eu ainda estava triste. Eu disse que 'um tantinho', e ele disse que eu não precisava ficar preocupada, que era besteira, e me pediu desculpas por ter me chateado. Perguntou se podíamos continuar nos vendo.... E eu.... Eu disse que sim.
E percebi que eu nunca tinha pego o telefone pra ligar pra ele, que nunca o procurava e que a gente não tem nada, como eu disse, eu sei que ele fica com outras pessoas, assim como eu também ficava.... Mas que doía um fato consumado, ah doía..... Ele disse que o tempo dele era muito longo. E o meu, curto demais... Não falei, só pensei mesmo...
E naquela noite, ele mandou uma mensagem antes de dormir, falando que tínhamos intimidade o suficiente um com o outro e pra gente conversar mais, pra nenhum dos dois ficar triste.
Segunda que vem é meu aniversário, um mês e um dia depois do dele.
Combinamos de passar o domingo inteirinho juntos...
Meu presente de aniversario....
segunda-feira, 8 de julho de 2013
Até.
E então acabou, não foi?
Mal tinha começado. Ou nem começou, vai saber...
O fato é que eu gosto de você.
Sabe, Dani,
Foi a sua mão que eu puxei pra subir de volta... E você sabia muito bem onde estava se metendo. Sabia o que tinha acontecido e até se preocupava um pouco das coisas não irem rápidas demais.
Eu não estou entendendo muito bem o que tá acontecendo agora com a gente.
As coisas estavam indo bem de novo, depois de nossas brigas, essa semana você me ligou vários dias, me disse que estava com saudade da gente 'de bem' juntos e que estava implicando comigo também, por saudade. E simplesmente não nos vimos, você não me procurou... Sexta nos falamos bastante, você me ligou quando chegou em casa do trabalho e sábado nada... Eu que te liguei, você disse que tinha acabado de chegar em casa, não ia sair e que me ligava no domingo depois do almoço no seu pai. Você não ligou.
Hoje, meu celular acordou sem um bom dia e meu coração está tentando disfarçar.
Eu não estou disposta, meu bem. Não estou disposta a sofrer. Não depois do que eu passei, não mais.
Acho que minha cota de sofrimento já acabou, ultrapassou, pelos próximos dez anos.
E eu não vou sofrer, coração, fique tranquilo, que você já passou por poucas e boas.
Então. Obrigada por esses últimos dois meses.
Um beijo. Até um dia.
Mal tinha começado. Ou nem começou, vai saber...
O fato é que eu gosto de você.
Sabe, Dani,
Foi a sua mão que eu puxei pra subir de volta... E você sabia muito bem onde estava se metendo. Sabia o que tinha acontecido e até se preocupava um pouco das coisas não irem rápidas demais.
Eu não estou entendendo muito bem o que tá acontecendo agora com a gente.
As coisas estavam indo bem de novo, depois de nossas brigas, essa semana você me ligou vários dias, me disse que estava com saudade da gente 'de bem' juntos e que estava implicando comigo também, por saudade. E simplesmente não nos vimos, você não me procurou... Sexta nos falamos bastante, você me ligou quando chegou em casa do trabalho e sábado nada... Eu que te liguei, você disse que tinha acabado de chegar em casa, não ia sair e que me ligava no domingo depois do almoço no seu pai. Você não ligou.
Hoje, meu celular acordou sem um bom dia e meu coração está tentando disfarçar.
Eu não estou disposta, meu bem. Não estou disposta a sofrer. Não depois do que eu passei, não mais.
Acho que minha cota de sofrimento já acabou, ultrapassou, pelos próximos dez anos.
E eu não vou sofrer, coração, fique tranquilo, que você já passou por poucas e boas.
Então. Obrigada por esses últimos dois meses.
Um beijo. Até um dia.
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Plano D
Meu bem ,
Obrigada por todo esse bem que você me faz.
Eu vou te contar um segredo: Eu tinha desistido. Desistido, e o que é pior, me acomodado. Pensava: "Ah, já que é isso que eu tenho, tudo bem, vamos lá." Eu não digo que me arrependi, porque não tinha muita noção de tempo e espaço, sabe? Eu sabia que estava infeliz, que aquilo não era lá muito o que eu tinha sonhado pra mim, mas tinha preguiça de seguir em frente, tinha me esquecido do encantamento que as coisas tinham e estava tudo meio cinza, como quem enxerga de óculos escuros. E eu estava lá, sabendo que existia sol, mas só de pensar em enxergar as cores, dava um desânimo, como se precisasse que alguém os tirasse pra mim. E foi você, com toda a sua delicadeza e firmeza, que me mostrou que as cores tinham vida.
Eu não consigo expressar o que eu estou sentindo. No começo, me joguei de cabeça, bem fundo, mergulhei sem medo das pedras que podiam ter lá embaixo, de olhos fechados. Uma mistureba de sentimentos não identificados. Da minha parte. Você era meu passado e meu futuro me encarando com olhos bem abertos. Abertos e firmes. Os meus eram bem fechados, ora por não querer enxergar, ora por tanta cerveja que eu tinha tomado. Você era as minhas lembranças da época mais feliz da minha vida e toda a responsabilidade de te mostrar que eu não era mais aquela destrambelhada que você conheceu. Era a minha faculdade abandonada, meu coração imaturo acelerado e minhas aulas esquecidas pelos corredores. Era a minha vontade de ficar com você e a nossa fuga pro quinto andar. Era o seu estojo e o seu casaco perdidos, e os banheiros trocados. Era o outro lado da janela e todo mundo lá embaixo, era nossas brincadeiras e os abraços no churrasco. Era o play do prédio do seu pai e o seu quarto. Você era muita coisa guardada dentro de uma caixa de sapato esquecida debaixo da cama. E quando eu te vi naquele samba, meu coração bateu forte e veio todo aquele filme na minha cabeça, e a certeza de querer reviver tudo de novo. Eu reviveria, como há oito anos atrás, mas você não. Eu conseguia ser, ainda, aquela menina da Fau, mas você não deixou. Você me desmascarou quando disse: "Você está igual ao que você era na época da faculdade, igualzinha, não mudou nada." Claro que eu não havia mudado nada. Dá pra entender? Eu estava tentando ser aquilo que eu era antes. Foi uma tentativa tão grande de me mudar e eu me obriguei tanto a ser quem eu não era, quem queriam que eu fosse, que eu acreditava um pouquinho que deveria ser diferente do que eu era naquela época. E você, com toda a sua calma, em momento nenhum me viu diferente, e você gostava do que via, e a minha máscara caiu. Eu não precisava te mostrar que eu era super centrada, incrivelmente madura e me comportava sempre muito bem, porque eu existia de verdade, e você gostava de como eu era. Eu não tinha os defeitos que sempre julgaram tanto que eu tinha e as minhas qualidades existiam sim, e você as conseguia enxergar.
E então, eu pude ter a certeza que eu podia ter o meu jeito, falar o que eu pensava, sem medo do que os outros poderiam achar ou deixar de achar de mim. Eu podia ser eu de verdade. Você gostou de mim quando eu era exatamente quem eu era, na minha essência, na fase mais verdadeira da minha vida. E agora, oito anos depois, você gosta de novo. Talvez muito mais. Aliás, com certeza muito mais. E eu te faço bem. Você se sente bem comigo. E eu contigo.
Você me disse que gostou do nosso final de semana em Itaipava. Gostou porque estava comigo, porque eu te faço muito bem, porque eu sei brincar, conversar, sou carinhosa, tenho paciência, sei ouvir, tenho bom gosto, sou animada e porque te dei um final de semana inesquecível. E com toda a sua sensatez, disse pra vivermos o presente, e pensar no quanto é bom estarmos felizes, que quer que tudo que esteja acontecendo seja só felicidade. Eu concordo com você, meu bem, mas toda a minha ansiedade fica imaginando como vai ser lá na frente.
Ah! Algumas coisas eu tenho que te falar:
Achei fofo você brigar incessantemente para eu calçar o chinelo porque o chão estava frio. Eu não calçava porque amo andar descalça mesmo, e então eu esquecia.
Foi você, com a minha ajuda, que derramou o vinho na cama, mas poderia ter sido eu sem problemas nenhum, aliás, a probabilidade era muito maior, se fosse eu quem tivesse servindo, capaz que eu deixasse a garrafa inteira virar. Lembra da água que eu esbarrei na sua mão e também derramou, né? Obrigada pela preocupação quando eu bati a cabeça, mas isso ocorre com muita frequência, as vezes diariamente, visto o roxo enorme que eu estava na perna, e eu não tenho vaga ideia de onde eu bati. Perder na sinuca foi um grande orgulho pra mim, já que da última vez que eu joguei, nem a bolinha eu conseguia acertar, conseguir não passar vergonha, foi uma vitória inigualável.
Amei saber da sua história com o Kids Challenger, seu cavalo. Acho lindo qualquer coisa boa relacionada a animais.
E o travesseiro que surgiu entre a gente durante a noite, não fui eu, foi você! Esse mistério vai continuar... Ainda bem que você viu e tirou do meio e chegou o mais juntinho que podia chegar.
Ah, outra coisa. Eu vi o beijinho que você me deu no ombro durante a noite, eu estava acordada, mas foi tão lindo que eu nem me mexi, só sorri e você não viu.
Gosto também quando me 'obriga' a beber água, não sentar no chão, não limpar a mão na calça, lavar a mão, etc. Também gosto quando você me chama de 'meu bem', porque eu te chamo, imitando o jeito que eu falo. E também quando implica comigo (o que acontece o tempo inteiro), dizendo que quando eu falo no telefone eu falo com sotaque de baiana, porque eu falo meiguinha.
E as broncas né? Teve isso também... Prometo que vou transferir meu título de eleitor, tirar a identidade, resolver meu diploma, ligar pro banco e pedir o cartão que eu perdi, declarar o imposto de renda e resolver o que resta em ssa.
Enfim, queria agradecer. Foi tudo lindo. Tudo perfeito. E eu mereço meu certificado por ter conseguido passar esse final de semana com você, mas pode ser um beijo também, que pra mim vale mais.
Obrigada por todo esse bem que você me faz.
Eu vou te contar um segredo: Eu tinha desistido. Desistido, e o que é pior, me acomodado. Pensava: "Ah, já que é isso que eu tenho, tudo bem, vamos lá." Eu não digo que me arrependi, porque não tinha muita noção de tempo e espaço, sabe? Eu sabia que estava infeliz, que aquilo não era lá muito o que eu tinha sonhado pra mim, mas tinha preguiça de seguir em frente, tinha me esquecido do encantamento que as coisas tinham e estava tudo meio cinza, como quem enxerga de óculos escuros. E eu estava lá, sabendo que existia sol, mas só de pensar em enxergar as cores, dava um desânimo, como se precisasse que alguém os tirasse pra mim. E foi você, com toda a sua delicadeza e firmeza, que me mostrou que as cores tinham vida.
Eu não consigo expressar o que eu estou sentindo. No começo, me joguei de cabeça, bem fundo, mergulhei sem medo das pedras que podiam ter lá embaixo, de olhos fechados. Uma mistureba de sentimentos não identificados. Da minha parte. Você era meu passado e meu futuro me encarando com olhos bem abertos. Abertos e firmes. Os meus eram bem fechados, ora por não querer enxergar, ora por tanta cerveja que eu tinha tomado. Você era as minhas lembranças da época mais feliz da minha vida e toda a responsabilidade de te mostrar que eu não era mais aquela destrambelhada que você conheceu. Era a minha faculdade abandonada, meu coração imaturo acelerado e minhas aulas esquecidas pelos corredores. Era a minha vontade de ficar com você e a nossa fuga pro quinto andar. Era o seu estojo e o seu casaco perdidos, e os banheiros trocados. Era o outro lado da janela e todo mundo lá embaixo, era nossas brincadeiras e os abraços no churrasco. Era o play do prédio do seu pai e o seu quarto. Você era muita coisa guardada dentro de uma caixa de sapato esquecida debaixo da cama. E quando eu te vi naquele samba, meu coração bateu forte e veio todo aquele filme na minha cabeça, e a certeza de querer reviver tudo de novo. Eu reviveria, como há oito anos atrás, mas você não. Eu conseguia ser, ainda, aquela menina da Fau, mas você não deixou. Você me desmascarou quando disse: "Você está igual ao que você era na época da faculdade, igualzinha, não mudou nada." Claro que eu não havia mudado nada. Dá pra entender? Eu estava tentando ser aquilo que eu era antes. Foi uma tentativa tão grande de me mudar e eu me obriguei tanto a ser quem eu não era, quem queriam que eu fosse, que eu acreditava um pouquinho que deveria ser diferente do que eu era naquela época. E você, com toda a sua calma, em momento nenhum me viu diferente, e você gostava do que via, e a minha máscara caiu. Eu não precisava te mostrar que eu era super centrada, incrivelmente madura e me comportava sempre muito bem, porque eu existia de verdade, e você gostava de como eu era. Eu não tinha os defeitos que sempre julgaram tanto que eu tinha e as minhas qualidades existiam sim, e você as conseguia enxergar.
E então, eu pude ter a certeza que eu podia ter o meu jeito, falar o que eu pensava, sem medo do que os outros poderiam achar ou deixar de achar de mim. Eu podia ser eu de verdade. Você gostou de mim quando eu era exatamente quem eu era, na minha essência, na fase mais verdadeira da minha vida. E agora, oito anos depois, você gosta de novo. Talvez muito mais. Aliás, com certeza muito mais. E eu te faço bem. Você se sente bem comigo. E eu contigo.
Você me disse que gostou do nosso final de semana em Itaipava. Gostou porque estava comigo, porque eu te faço muito bem, porque eu sei brincar, conversar, sou carinhosa, tenho paciência, sei ouvir, tenho bom gosto, sou animada e porque te dei um final de semana inesquecível. E com toda a sua sensatez, disse pra vivermos o presente, e pensar no quanto é bom estarmos felizes, que quer que tudo que esteja acontecendo seja só felicidade. Eu concordo com você, meu bem, mas toda a minha ansiedade fica imaginando como vai ser lá na frente.
Ah! Algumas coisas eu tenho que te falar:
Achei fofo você brigar incessantemente para eu calçar o chinelo porque o chão estava frio. Eu não calçava porque amo andar descalça mesmo, e então eu esquecia.
Foi você, com a minha ajuda, que derramou o vinho na cama, mas poderia ter sido eu sem problemas nenhum, aliás, a probabilidade era muito maior, se fosse eu quem tivesse servindo, capaz que eu deixasse a garrafa inteira virar. Lembra da água que eu esbarrei na sua mão e também derramou, né? Obrigada pela preocupação quando eu bati a cabeça, mas isso ocorre com muita frequência, as vezes diariamente, visto o roxo enorme que eu estava na perna, e eu não tenho vaga ideia de onde eu bati. Perder na sinuca foi um grande orgulho pra mim, já que da última vez que eu joguei, nem a bolinha eu conseguia acertar, conseguir não passar vergonha, foi uma vitória inigualável.
Amei saber da sua história com o Kids Challenger, seu cavalo. Acho lindo qualquer coisa boa relacionada a animais.
E o travesseiro que surgiu entre a gente durante a noite, não fui eu, foi você! Esse mistério vai continuar... Ainda bem que você viu e tirou do meio e chegou o mais juntinho que podia chegar.
Ah, outra coisa. Eu vi o beijinho que você me deu no ombro durante a noite, eu estava acordada, mas foi tão lindo que eu nem me mexi, só sorri e você não viu.
Gosto também quando me 'obriga' a beber água, não sentar no chão, não limpar a mão na calça, lavar a mão, etc. Também gosto quando você me chama de 'meu bem', porque eu te chamo, imitando o jeito que eu falo. E também quando implica comigo (o que acontece o tempo inteiro), dizendo que quando eu falo no telefone eu falo com sotaque de baiana, porque eu falo meiguinha.
E as broncas né? Teve isso também... Prometo que vou transferir meu título de eleitor, tirar a identidade, resolver meu diploma, ligar pro banco e pedir o cartão que eu perdi, declarar o imposto de renda e resolver o que resta em ssa.
Enfim, queria agradecer. Foi tudo lindo. Tudo perfeito. E eu mereço meu certificado por ter conseguido passar esse final de semana com você, mas pode ser um beijo também, que pra mim vale mais.
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