domingo, 20 de novembro de 2011

Por escrito

Eu vou deixar por escrito, pra depois ninguém ficar me dizendo: "Eu te avisei, eu te avisei...", com aquele olhar, levantando a sobrancelha.
Eu mesma me aviso, tá legal?
O que vai acontecer comigo: eu vou me fuder mais uma vez.
Eu vou me mudar, gastar vinte mil na decoração do meu apartamento porquê eu fiz o projeto, ou melhor, uns desenhos só pra lembrar que eu tenho um 'quê' de desenhar direitinho. Eu planejei todos os móveis e já mandei fazer. Sim, eu vou gastar uma pequena fortuna para ter um mimo de um apto com a minha cara (só falta decidir a cor da parede da sala, não sabia que essa seria a parte mais difícil).Okay, o carro dos meus sonhos eu já tenho. Também comprei com ele. Tudo certo.
Então pronto, todos já me avisaram que não daria certo, eu bati o pé, sem firmeza nenhuma, dizendo que daria sim, sabendo que não vai dar.
Pois bem, vou me mudar, depois de morar dois anos na casa da minha sogra, e vou ter bastante trabalho com isso. Vou comprar os móveis como eu quero e vou ter, além do carro, o apto dos meus sonhos.
E então, o meu relacionamento vai continuar como está, porquê eu digo que tenho certeza que vai melhorar quando tivermos a nossa casa, mas eu sei que vai continuar a mesma coisa. Então eu vou continuar sofrendo, me perguntando porquê caralho eu sou tratada mal e continuo ali. E vou me esquecer, como sempre faço, das coisas bacanas e fofas que ele faz. Porquê ele faz. Eu vou sentir raiva porquê achava que teria uma vida de princesa, ou a vida que eu sonhava, mas eu vou acordar todos os dias encarando a realidade de que ter o que eu tenho não significa porra nenhuma, eu quero é ser feliz.
E, algum dia, quando eu tomar coragem, se é que esse dia vai chegar, eu vou largar todo o castelo e vou voltar pro Rio, morar com meus pais, ou alugar um apartamento. Eu vou voltar, porquê eu vou dizer que tentei tudo, até a última gota para dar certo, e que não deu.
E então, as pessoas vão olhar para mim e tentar dizer que me avisaram, mas eu fui mais rápida e já estou me avisando desde já.

Gostaria de...

Te mandar ir tomar no cu.
Isso mesmo, vá tomar no cu.
Eu hein, ficar sem me responder só pq não fui te ver, depois de todo o circo armado?
Ah, vai tomar no cu.
Mas me responde aí vai, numa boa. São tão sensacionais os e-mails que eu mando pra você.  Bêbada, mas bêêêêbada, que nem gambá.
Mas vc nem percebe. Não é phd em me conhecer bêbada que nem meu ex dos States. Do Brasil, eu ligava amargurada, embriagada aos prantos, um trapo de gente. Ele cagava literalmente e dizia: Come on, you are drunk... E não dava a mínima, aí eu brincava de sofrer e no dia seguinte, lá tava eu, sem moral ne-nhu-ma.
Eu passei uma época alcoólatra. Alcoólatra de dentro de casa. Tinha uma garrafa prateada de uma vodka da Dinamarca, que me dava uma depressão terrível pq me lebrava daquele filho da puta, que eu trouxe de Ny. E eu tomava goles e  mais goles, pra me embriagar e esquecer que eu vinha pra porra da Bahia a pulso.
A melhor época da minha vida era quando eu fazia merda atrás de merda.
Foi mesmo, todas as vezes que cheguei em casa trêbada depois de ter aprontado todas valeram ouro. Eu trocava qualquer dia que fiquei na sarjeta por um dia tranquilo com meu marido na praia. Qualquer um, até aquele que cortei o dedão do pé, até o que caí do telhado, ou o que rompi os ligamentos do pé.
Qualquer dia, qualquer um. Pensar que essa época não volta mais me enlouquece. Eu me dou conta que preciso de tratamento médico quando assumo que não quero uma vida correta, quero uma vida rock'n roll..
Seu eu não casar, problema. Ontem mesmo confessei que me vejo viajando pelo mundo, e sem um homem do lado. Sério, tipo solteirona. Ao mesmo tempo disse que iria arranjar alguém pra me dar um filho. Sei lá, um otário qualquer para quem vou jurar amor eterno.
Quanta contradição com as coisas que eu digo. Ora eu quero alguém que me entenda, ora eu quero que todos os homens do mundo vão pra puta que pariu.
Vai tomar no cu.

Eu sou.

Gostaria de dizer para mim algumas verdades, que não só eu, mas como pessoas que conviveram comigo sabem muito bem.
Gostaria que eu percebesse que sou uma puta mulher, e que todos que já estiveram ao meu redor, foram felizes e se divertiram muito.
Eu sou uma amiga sensacional, que está sempre pronta par ajudar quando qualquer merda acontece. Tá certo que nem sempre eu falo as coisas que devem ser ditas, eu não sei de tudo, mas se não dou um jeito com palavras, dou um jeito de qualquer maneira, seja sentada numa mesa de bar rindo, chorando e falando besteiras. Mas eu vou estar lá.
E eu não mereço que me tratem mal. Não, de jeito nenhum, eu não mereço e não preciso. Porra, quantas vezes eu já tive homens aos meus pés, implorando por alguma atenção? Quantas vezes, meu Deus, eu já ouvi um eu te amo?
Eu já ouvi coisas que poucas pessoas já ouviram, e que milhares gostariam de ouvir.
Eu já ouvi dizerem que eu faço tudo do meu jeito, sou uma mimada, mandona e metida. E esse, ficou aos meus pés, me implorando por uma chance.
Eu já ouvi muitos obrigadas de alguém por qualquer coisa que eu tenha feito, até por balançar o cabelo de uma forma diferente, até por contar uma história engraçada.
Eu já ouvi dizerem que não saberiam vive sem mim, e não foi um, foram todos. Eu sou essencial. Sempre fui.
Eu já ouvi dizer que morreriam por mim.
Eu já fui pedida em casamento. Mais de uma vez.
Eu já fui pedida em namoro na primeira noite.
Eu já fui pedida em namoro no meu aniversário.
Eu já fui pedida para namorar diversas vezes, por pessoas sensacionais. Muitas delas nem mereciam o desprezo que eu daria depois.
Eu já ouvi dizerem que eu sou um espelho de mulher perfeita.
Eu já ouvi dizerem que até meus defeitos são qualidades.
Eu já recebi cartas de amor anônimas.
Eu já ouvi dizer que era eternamente responsável por aquilo que cativei.
Eu já vi e ouvi milhares de lágrimas derramadas por mim.
Eu já senti muita tristeza deles todas as vezes que fui embora.
Eu já ouvi um eu te amo de quem nem conhecia direito.
Eu já li um eu te amo de quem nunca tinha tocado em mim.
Eu já ouvi que era a mulher da vida de uma pessoa que eu nunca tinha beijado.
Eu já recebi muitas cartas lindas de amor.
Eu já fiz muitos jurarem que nunca mais amariam ninguém depois de mim.
Eu já ganhei amigos maravilhosos por causa de pessoas que eu desprezei depois.
Esses amigos são muito meus até hoje.
Eu já recebi bilhetes anônimos.
Eu já fui capítulo de um livro! Sim, escreveram um capítulo inteiro sobre o bem que eu fiz para alguém.
Eu já fui o carnaval e todos os feriados de alguéns.
Eu sou tudo o que falam que eu sou.
Eu realmente sou.
Eu sou uma pessoa marvilhosa e não consigo me dar conta disso.
Eu me apago perante pessoas que sabem o quão maravilhosa eu sou e tentam de tudo não deixar os outros perceberem isso.
Eu estou amando a pessoa errada.
E não sei o que fazer.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

De nada.

Não tive forças pra te falar pessoalmente, então resolvi de escrever.

Obrigado por tudo.
Obrigado por nenhum dia de sofrimento.
Obrigado por todos os dias de alegria.
Obrigado por todas as cervejas.
Obrigado pelo carinho.
Obrigado pela força.
Obrigado pela compreensão.
Obrigado pela paciência nos meus dias tristes.
Obrigado por ter deixado conhecer uma pessoa como vc.
Obrigado pelas risadas.
Obrigado pelos "conferes"
Obrigado pela sua alegria e alto astral.
Obrigado pelas conversas.
Obrigado pela ruazinha.
Obrigado pelo "naquele boteco"
Muito obrigado por sempre acreditar em meu potencial.
Obrigado pelos beijos.
Obrigado pelo anel sempre do meu jeito.
Obrigado pela estória do palhaço no ônibus.
Obrigado pelos shows do rappa.
Obrigado pela sua maneira de ser.
Obrigado por ter se deitado em minha cama.
Obrigado pelo sorriso sem graça na micros de camisa amarela e tênis quadriculado.
Obrigado pelas meias pretas (já estão ficando velhas)
Obrigado pela tatuagem (confesso que fiquei assustado)
Obrigado por ter marcado a minha vida com uma música.
Obrigado pelo "amor que não dá pitaco e nem dá pio" rsrs
Obrigado por ter me mostrado que há outras pessoas legais nesse mundo.
Obrigado pelas suas mãos molhadas de nervoso.
Obrigado pelo maracanã.
Obrigado por ter sido minha motorista.
Obrigado por ter se perdido comigo na tijuca.
Obrigado pelo malote de dinheiro aberto.
Obrigado pelo seu comprometimento com o trabalho.
Obrigado pelo profissionalismo.
Obrigado pela sua CORAGEM.
Obrigado pelo seu orgulho.
Obrigado por me ouvir sempre.
Obrigado pelos olhos inchados.
Obrigado pelo frio na barriga.
Obrigado por sempre me mandar um beijinho quando entrava em sua portaria.
Obrigado pelos vai tomar no cú.
Obrigado pelos celulares perdidos.
Obrigado pelos looser.
Obrigado pelo cinema.
Obrigado pelas pizzas (faltou o Bráz).
Obrigado por todos os pasteís.
Obrigado pelo fornalha.
Obrigado por todas as lágrimas.
Obrigado pelas cartas.
Obrigado por ter me ligado pra ir no baixo gávea com o Raphael M logo depois que terminei e estava começando a ficar mal.
Obrigado pela amizade.
Obrigado pelo amor.
Obrigado pela mexida de cabeça.
Obrigado pelos suspiros.
Obrigado por suas estórias (nem sempre eu tinha paciência para ouvir)
Obrigado por sua maneira de viver a vida.
Muito obrigado pelo fim de tarde no Arpoador.
Obrigado pelas balas.
Obrigado pelos pulos no meu colo dentro do carro.
Obrigado por ter criado uma confusão enorme na minha cabeça.
Obrigado pela reação ao me ver com a boca vermelha na drinkeria maldita.
Obrigado por conversar comigo debaixo da mesa.
Obrigado por 3 meses que nunca irei me esquecer.
Obrigado pela intensidade.
Obrigado por me entender tanto.
Obrigado por ter me deixado entrar em sua vida.

Poderia ficar escrevendo aqui mais 500 obrigados, mas não precisa.

Quero muito que vc seja muito feliz. Tenho certeza, te conhecendo, que vc vai adorar sua nova vida.

Lembre-se sempre que te considero uma pessoa muito especial em minha vida, e que tudo que eu puder fazer pra te ajudar, pode contar comigo.

Deus e seu amigo/anjo da guarda tibetano estão lá em cima te protegendo.

Seja muito feliz.

Te Amo.

Meu amor,

Oi...
É estranho eu estar te escrevendo depois de tantos anos juntos, né?
Mas eu gostaria de lhe agradecer. Obrigada por tudo, meu amor. Eu sou uma pessoa muito melhor depois que te conheci, depois que descobri que viver a dois é muito melhor do que viver sozinha num mundo que eu criava pra mim.
Sabe, eu nunca te falei, mas eu dizia que meu sonho era ser voluntária, viajar o mundo, etc, sempre pensava que jamais encontraria alguém que entendesse isso, todos com quem eu tive coragem de falar, não mencionaram nenhum comentário a respeito, na certa acharam bobagem. Quando você abriu aquele sorriso e perguntou porquê eu não havia ido, eu entendi o porquê eu estava com você. Obrigada, amor, por não achar besteira, coisa de menina sonhadora. Eu vou lhe explicar: eu não fui pq eu não tive coragem de abandonar meus namorados, e antes de te conhecer, eu não fui pq eu não queria abandonar meu emprego que estava me dando tantas coisas que eu sonhava. Você me disse que eu conseguiria facilmente um emprego quando voltasse, pq eu era muito inteligente. Obrigada por acreditar em mim.
Eu tenho muitos motivos para lhe agradecer. Eu não gostaria que as coisas simples se tornassem corriqueiras na nossa vida, sabe. Eu admiro muito, de verdade, todos os dias que você acorda pra trabalhar e volta me contando como foi seus dia, eu adoro quando pergunta minha opinião e a importância que dá quando eu digo o que acho que você deve fazer, mesmo que seja errado, eu gosto quando me olha curioso, mesmo sabendo que na maioria das vezes eu falo besteira, por não entender nada da sua área, eu acho bacana você me incluir nas suas atividades. Eu gosto das suas opiniões também sobre meu trabalho, são importantes pra mim. Obrigada por perguntar se eu melhorei todas as vezes que dizia estar com alguma coisa, por mais que às vezes era uma coisinha bem pequena, você nunca achou que era frescura minha, sempre estava disposto a me ajudar. Eu gostaria de lembrar todas as vezes que senti orgulho de você e todas as vezes que você disse estar orgulhoso de mim, essas pequenas lembranças nos fazem muito bem, e tenho medo de esquecer alguma delas, portanto, aproveito pra agradecer muito, por sentir orgulho de mim.
Obrigada por ter vontade de voar em cima de mim, e segurar sua raiva quando te chateio. Eu consigo ver que está muito bravo e se segurando pra não falar um monte de coisas. Obrigada por me chamar e conversar, dizer tudo o que te chateia e me ouvir.  Muitas vezes eu consegui tirar sua raiva, muitas outras eu pedi desculpas e você aceitou. Assim foi comigo também. Eu aceito suas desculpas, porquê você é sincero e isso é uma virtude. Eu confio em você. Confio muito, por isso te deixo a vontade para fazer as coisas que quer, assim como faz comigo. Mas sempre preferimos estar juntos, e isso me deixa bastante contente também.
Enfim, você, que ainda vou conhecer, obrigada.

domingo, 16 de outubro de 2011

Então é assim?

É assim? É assim que acaba tudo? Não tem mais nada depois disso?
É um eterno sobe e desce e de repente fica tudo uma linha reta?
Não tem mais emoção, coisas gostosas, sensações de ansiedade?
Eu não quero. Não quero. E eu digo isso de verdade.
Alguém pode me convencer? Não é possível que seja só isso, que quando a gente chega nesse nível não tem o próximo, um mais emocionante, um que me faça ter vontade de ir além.
Alguém, por favor, alguém me ensina as regras direito, porquê se eu soubesse que ia ser assim, eu não ia querer jogar! Não tem a menor graça, eu quero voltar pra última fase.
Eu estou desesperada, como uma mulher adulta. Eu estou desesperada e queria poder gritar isso pro mundo inteiro ouvir e poder me ajudar, mas eu não posso gritar, pois faria papel de boba, eu não tenho coragem, sou fraca.
Eu tenho medo de alguém me dizer que não é assim coisa nenhuma, que se eu quiser mesmo, eu posso mudar e posso voltar a ter emoções na minha vida. Eu posso.
O problema todo é que eu sei que posso, eu tenho certeza, mas não tenho coragem.
E isso me mata.
Eu sempre fui a mais corajosa da turma, e mais destemida das minhas amigas, a mais "louca", como me chamavam... Sempre fui e agora estou eu aqui, anônima, dizendo que não sou nada disso, sou uma cagona.
Queria saber se o resto da minha vida é assim. Quando se tem dinheiro, casa, carro e um bom emprego, não se precisa mais de nada? Contente-se, querida, você tem o que todos acham o ideal e buscam por isso. Você tem a casa própria, o carro do ano  e um bom marido. Chega, quer mais o quê?
Alguém me ajuda? Por favor, quem me conhece, eu estou implorando por ajuda. Eu falo muito sério.
Me procurem, me façam ver, de uma forma bem sutil, que as coisas não são assim.
Eu preciso de ajuda. Eu não quero isso tudo o que eu tenho, eu quero amor, quero incertezas, quero lidar com o desconhecido, quero me apaixonar, seja pelo mesmo homem, por várias vezes, eu preciso disso.
Eu queria saber pq eu fico doente sempre que volto, pq eu estou com febre há cinco dias e pq eu estou com essa crise, ou melhor, pq eu resolvi aceitar essa crise.
Eu fico pensando que quando eu envelhecer um pouco mais, ou seja, quando eu tiver meus trinta e poucos anos, eu vou estar por aí, conhecendo o mundo, de chinelos nos pés e histórias apaixonantes pra contar.
Mas quando eu vou chegar lá? Eu gostaria de dormir e acordar quando eu já tivesse tomado o passo principal da minha vida.
Eu queria fazer um trabalho voluntário, ajudar, viajar e  conhecer alguém nesse ambiente.
Pq eu tenho que trabalhar num lugar fechado e ter mordomias?
Eu não quero nada disso, e eu sei que só eu posso me ajudar, mas é muito difícil pra mim me ajudar, pq eu estou sempre tentando me convencer de que eu tenho uma vida boa e que 90% da população gostaria de ter todos os ítens que eu tenho, em suas vidas. Eu esqueço de mim, eu esqueço.
Eu não tenho coragem, eu tenho preguiça.
Eu moro só e sou só. Eu não tenho um teto pra fugir, eu não tenho a casa dos meus pais e eu não tenho amigos. Eu não posso me dar ao luxo de sair de casa, pq a minha casa é a dele.
É muito difícil pra mim. Muito mesmo.
Acho que quando meus pais puderem me sustentar até eu ter um emprego, pode ser que eu volte pra casa deles.
Então eu volto pra casa e tenho meus amigos de volta. Aí sim, eu vou poder trabalhar de voluntária.
É isso que eu queria, mas eu preciso ter coragem.
Meu apartamento fica pronto daqui a duas semanas. Eu vou mobiliar do meu jeito, a gente vai viver muito feliz junto, vamos cozinhar, ir na piscina e ver milhares de filmes e eu vou esquecer de todo esse meu ideal de vida, até surtar novamente e querer chutar o balde.
Assim é minha vida e eu gostaria de mudá-la.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Vai tomar no cú eu!

Mais uma vez não sei pq eu estou escrevendo (antes eu falava: não sei pq peguei um papel e uma caneta - ô mundo moderno), mas vou falar de uma coisa que me incomoda: eu finjo que acho que gosto mais dele do que ele de mim. Eu finjo, pq eu quero me irritar, me colocar pra baixo, etc. É uma satisfação anônima quando eu me deixo irritadíssima. Uma coisa de louco, pra falar a verdade. Tudo o que me incomoda, eu forço. Não tô conseguindo me explicar direito, é tipo assim: quando tem uma pelinha no meu dedo que tá doendo, eu sei que se eu deixar ela lá, esquecida, ela não atrapalha em nada, mas eu vou e puxo ela, pra doer mesmo. Dá pra entender? Tipo, eu odeio fazer trabalho da faculdade, mas eu vou lá, todos os dias e abro a página pra fazer um trabalho que eu sei que não vou fazer, e quando eu já tô bem irritada, eu fecho. É tipo chegar no trabalho e abrir o e-mail, sabendo que eu vou ter que responder, mas que não vai dar naquela hora e que eu vou ficar agoniada por não responder, aí eu leio, não respondo, pq não dá tempo, e vou começar meu trabalho estressada. É sensacional o que eu faço comigo. Agora falando dele, é assim, ele nunca mencionou me deixar, eu falo o tempo todo, é a gente brigar pra eu mandar ele pro caralho e dizer que queria voltar pra casa, ele não, quando eu pergunto, ele diz que ele nunca pensou em me deixar, que quem fala isso sou eu. Eu o agarro, ele acha que eu sou bruta (ah, porra, sou mesmo), eu vou o beijar de manhã, ele faz cara feia e diz: porcaria! Eu digo que o amo o tempo todo, ele não. Mas ele diz que preferia que eu nunca dissesse que o amava e tb nunca dissesse que queria ir embora. Ele diz que só absorve as coisas ruins que eu falo e que às vezes, elas vão por cima das coisas boas, e estas não fazem mais sentido pra ele. Eu sou uma fudida em relacionamento, na moral. Outro dia eu dei a louca, comecei a chorar que nem uma descompensada me perguntando pq caralho eu tinha carro, casa, emprego bom, e bolsa cara e não tava descalça na putaquepariu com uma mochila nas costas fazendo trabalho voluntário. Eu me perguntava desesperada pq eu não me conformava com a vida que todo mundo queria. Aí me disseram que eu não era normal, mas que era normal eu ser assim, dá pra entender? Eu não fazia parte do senso comum, mas era ok, se eu queria cair no mundo, eu que fosse. Tá esperando o que? Tô esperando criarem um programa que fosse instalado no ser humano que o fizesse deletar certas coisas da sua cabeça. Aí eu mandaria meu marido, meu carro, meu apto e meu emprego pro espaço e cairia de pára-quedas no meio de um desertão assim, sabe, com a areia vermelha. É só isso que eu tô esperando, dá licença??? Então pronto, eu fico pensando nisso, e ó a auto irritação aí de novo. Eu sou insuportável comigo mesma. Eu digo que acho que eu gosto mais dele do que ele de mim, mas porra nenhuma, acho nada. Eu gosto de encher a porra do meu saco, por isso que eu fico bêbada. Bêbada eu sou a paz em pessoa comigo mesmo, e aí eu brinco horrores, debocho de mim quando me desequilibro fazendo xixi e sento o vaso todo sujo ( na maioria das vezes de propósito), ligo pra várias pessoas e morro de rir depois, e fico tentando apagar a msg e acabo escrevendo outras sem nexo nenhum, é uma onda só, eu sou um barato comigo mesma, parceirona, mas é acordar no dia seguinte, pra eu encher minha cara de tapa e demaquilantes e me enfrentar mais uma vez me perguntando pq caralho bebi tanto, se eu sou tão idiota a ponto de esquecer que disse que nunca mais ia beber, e por aí vai...
Preciso de uma terapia pra aprender a lidar comigo.